Indicadores Químicos Sintéticos

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

Há existência em nosso cotidiano de substâncias que possuem sabor azedo, tais como o suco de limão e vinagre, assim também como aquelas que apresentam sabor adstringente, que é o caso da banana, do caqui verde e do leite de magnésia. Esses tipos de sabores identificam dois importantes grupos de substâncias: os ácidos e as bases.

Todavia, experimentar toda e qualquer substância a fim de identificá-la e deter um resultado concreto não é conveniente, tornando-se, na maioria dos casos, perigoso. Foi então que químicos do passado perceberam que substâncias de sabor azedo, os ácidos, quando misturados a suco de uva ou de amora, apresentavam coloração avermelhada. Já com as substâncias de sabor adstringente, as bases, tornavam-se azuladas quando misturadas a tais sucos. Este fato deve-se a presença de indicadores naturais presentes no suco da uva e da amora.

Os indicadores sintéticos são ácidos ou bases fracas com equilíbrio químico facilmente deslocável, que apresentam a propriedade de mudar de cor em regiões distintas de pH, possuindo uma coloração A em meio ácido e uma coloração B em meio básico. Estas substâncias são utilizadas para indicar a acidez ou basicidade de soluções aquosas.

A coloração apresentada por todos os tipos de indicadores está diretamente relacionada às diferenças estruturais nos pares conjugados ácido-base em solução, mudando de cor em função de alterações em sua estrutura química.

No decorrer do tempo, várias teorias foram apresentadas na definição de ácidos e bases. Entre elas, Arrhenius (Tito e Canto, 2002, pág.103) descreve: “o íon H+ é o responsável pelo sabor azedo dos ácidos e pela sua ação sobre indicadores. Da mesma forma, o íon OH- é o responsável pelo sabor adstringente das bases e por sua ação sobre indicadores”. O mesmo cientista, em estudos posteriores, constatou que as bases atacavam a pele, tornando-a escorregadia, com aparência de ensaboada. Os ácidos, por sua vez, a desidratava, tornando-a seca e ressecada. Isso pode ser explicado por reações químicas entre os ácidos e as bases com substâncias presentes na própria pele.

Na mesma época verificou-se que um grande número de compostos não se encaixavam em nenhum destes grupos, tais como o cloreto de sódio, a sacarose, o éter, a acetona e o etanol; substâncias estas que são estudadas em separado de ácidos e bases.

Como vimos, tanto ácidos como bases possuem a propriedade de alterar a cor de um indicador. Em sua definição, já é mencionado o fato de apresentarem uma coloração em meio ácido e outra em meio básico. A maioria dos indicadores utilizados em laboratório são sintéticos, sendo a fenolftaleína o mais comum deles; incolor em meio ácido e rósea em meio básico. A cor vermelho intensa indica pH superior a 10, devido a sua desprotonação, originando a forma básica conjugada na estrutura química da substância analisada. Há também uma ampla utilização de outros indicadores, como, por exemplo, o alaranjado de metila, o azul de bromofenol, o vermelho de timolftaleína, o vermelho de fenol, o roxo de metalcrisol, entre outros.

Referências:
PERUZZO, Francisco Miraguaia (Tito); CANTO, Eduardo Leite; Química: na abordagem do cotidiano, Ed. Moderna, São Paulo,SP – 2002.
SARDELLA, Antônio; MATEUS, Edegar; Curso de Química: química geral, Ed. Ática, São Paulo/SP – 1995.

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