Foco narrativo

Em primeira ou em terceira pessoa; é assim que se designa o foco narrativo (ou ponto de vista do narrador), isto é, respectivamente, quando um dos personagens de alguma história é o narrador ou quando quem narra não faz parte do contexto, sendo apenas espectador.

Exemplos de foco narrativo são: narrador observador – aquele que acompanha os fatos de fora, em momento algum faz parte da história e ocorre em terceira pessoa; narrador personagem (protagonista ou coadjuvante) – como a própria denominação traz, este faz parte da trama e acontece em primeira pessoa do singular ou plural.

Ambos os casos citados anteriormente podem classificar-se como intruso – quando faz comentários sobre aqueles envolvidos no contexto ou acerca de si mesmo (quando participante) e até mesmo do ambiente – ou neutro – aquele que apenas narra os fatos, sem nenhum tipo de influência.

O narrador observador e o narrador personagem possuem outras duas divisões cada; que são, na ordem devida: onisciente e câmera; personagem e testemunha. O primeiro é classificado quando o narrador sabe tudo sobre o enredo, personagens (pensamentos), cenário. O segundo difere-se do anterior somente em relação aos intérpretes, pois não domina o que se passa na cabeça de cada um deles.

O terceiro exemplo usado no parágrafo acima é o próprio protagonista, sua narração é de acordo com seu ponto de vista, não sabendo, assim, o que os outros personagens pensam. Já o quarto e último se parece com a descrição anterior, porém, como se fosse um segundo plano, considerando-se que o narrador testemunha é um personagem secundário.

Em resumo, o quadro sinótico estabelecido pelos críticos americanos Cleanth Brook e Robert Pen, esclarece, ainda mais, as linhas escritas anteriormente:

  1. A personagem principal conta sua história - foco narrativo na primeira pessoa ou interno.
  2. Uma personagem secundária conta a história da personagem principal - foco narrativo na primeira pessoa ou interno.
  3. O Narrador conta a história como observador - foco narrativo na terceira pessoa ou externo.
  4. O escritor, analítico ou onisciente (sabedor de tudo), no papel de narrador, conta a história - foco narrativo na terceira pessoa.

A obra “Meu pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, tem seu último capítulo todo em foco narrativo de primeira pessoa. Em contrapartida, “Macunaíma”, de Mário de Andrade, possui, quase que predominantemente, seu foco narrativo em terceira pessoa, mas, de acordo com Dácio Antônio de Castro, o autor “inova utilizando a técnica cinematográfica de cortes bruscos no discurso do narrador, interrompendo-o para dar vez à fala dos personagens [...]”.

Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Foco_narrativo
http://www.portugues.com.br/literatura/foco-narrativo.html
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/434347
http://www.angelfire.com/mn/macunaima/

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