Apoteose

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

Apoteose é a deificação de uma pessoa em função de alguma circunstância especial.

Ao longo da história da humanidade, criou-se formar de venerar as ações humanas excepcionais. Devido ao fator religioso que permeia as civilizações, é comum que o reconhecimento de um indivíduo se faça através de alguma representação divina do mesmo. Em todos os continentes e em todas as épocas da humanidade, a ligação com a religiosidade é muito forte e, por consequência, a vinculação de atos notáveis por homens notáveis com poderes divinos ocorre.

O termo Apoteose faz justamente essa menção à divindade. Com raízes na civilização e outras civilizações, representa o exato momento em que o indivíduo se une com o ser divino, tornando-se também uma divindade. Com o passar do tempo, o termo Apoteose passou a ser empregado também aos recebedores de honrarias ou aos indivíduos dignos de menção por suas notórias qualidades.

Cabe ainda considerar que o termo também é recorrente nas artes. No teatro serve para identificar de maneira espetacular o ponto final de uma cena. As pinturas e esculturas apresentam a Apoteose em seu sentido básico, dando destaque ao valor iconográfico que demonstra a recepção de um personagem entre os deuses, é a glorificação do indivíduo. Já na música, faz referência ao surgimento de um tema, que, geralmente, ocorre de maneira majestosa. A literatura, por sua vez, faz diversas menções à Apoteose, permitindo várias interpretações e usos do termo.

Apoteose teve seu significado construído ao longo de um grande caminho na história da civilização ocidental. No Antigo Egito, todos os faraós chegavam à sua Apoteose, já que todos eram deificados como Osíris. Na Grécia Antiga era uma condição, geralmente, aplicada aos heróis. Na Roma Antiga fazia parte do rito funerário que elevava os mais ilustres homens à mesma categoria dos deuses. O primeiro a receber a Apoteose em Roma foi Júlio César, por decisão do próprio Senado romano que passou a conceder a homenagem a quase todos os líderes posteriores. Mas o cristianismo, grande moldador da cultura ocidental após seu surgimento, considera a Apoteose de maneira dúbia. Isso porque os ortodoxos entendem que Jesus Cristo era um ser divino que tomou a existência mortal, enquanto os cristãos orientais argumentam que o ser humano é capaz de alcançar a vida divina através de Jesus Cristo.

Já na cultura do Oriente, a China, por exemplo, apresenta muitas lendas da conversão de homens em entidades divinas. Muitos mortais foram deificados e são considerados, hoje, como do mais alto escalão das santidades da cultura oriental.

 

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