Clamor

Entrando em Jerusalém, uma multidão clamava a Jesus. Uns fariseus incomodados pediram a ele que se calasse o povo. Jesus respondeu “Eu lhes digo, se eles se calarem, as pedras clamarão” (Lc 19:40).

O dicionário da língua portuguesa apresenta uma definição geral da palavra clamor: Gritos tumultuosos de reprovação, de descontentamento: os clamores de uma multidão. Reclamação queixa, lamentação”. Para um cristão um clamor é muito mais que isso.

Com frequência algumas denominações cristãs são criticadas por promoverem momentos de clamor. Ou ainda, motivo de piada com o fato de “Deus não ser surdo”, etc. Entretanto o ato de clamar é uma prática antiga, que começou muito antes mesmo de Jesus chegar, num tempo onde profetas do velho testamento já anunciavam a vinda de um messias que salvaria o povo do pecado e aliviaria os seus sofrimentos. Inclusive nos Salmos Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei” (Sl 5:2).

No contexto das igrejas há variados momentos para falar com Deus e colocar diante dele algumas causas e conseguir Dele resposta, direção. Por exemplo o momento de louvar por meio de hinos, ler e meditar na Palavra, momento de oração individual ou em grupo de joelhos, de madrugada, no monte, entre outros. O clamor ocorre quando há uma questão emergencial ou dolorida, ou alguma causa impossível diante dos olhos humanos; ou ainda, num momento de adoração que causa euforia, após a conquista de uma cura ou libertação, ou após alcançar um milagre.

É compreensível que um indivíduo portador de uma doença incurável, desenganado pela medicina, e que venha a ser curado por um milagre, tenha vontade de “gritar” a Deus manifestando a sua gratidão. A bíblia relata que essa reação ocorreu após algumas curas que Jesus fez, e mesmo tendo ele pedido para não contar a ninguém, a pessoa estava num estado de felicidade tão grande que saía gritando para o seu povo que havia sido curada por ele.

Embora o clamor possa ser compreendido como algo que foge ao entendimento, se visto do ponto de vista de quem não atribui fé em Jesus Cristo, a sociedade secular admite a manifestação de euforia em ambientes coletivos, onde há manifestação da aprovação e torcida, que nascem no imaginário e na satisfação de quem sente. A exemplo as torcidas de jogos de futebol, realização de shows musicais, festas, presença de celebridades, etc.

Para os cristãos que clamam, ocorre o entendimento de que Jesus disse “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre vós” (Mt 18,20), e como a multidão em Jerusalém, clamam a Ele. Cada um sente o tipo de clamor (se de luta ou de vitória) que fará de acordo com o momento que tem enfrentado na caminhada com o Senhor. Por ser uma prática que nasce direto do coração, do sentimento, geralmente nesta hora um cristão não repara o que o outro está dizendo e foca na sua própria causa. Diferente da oração comum, que é feita por uma pessoa e os outros vão mentalizando a oração, confirmando.

 "Assim diz o Senhor: Clama a mim, e te responderei, e te anunciarei coisas grandes e ocultas que não sabes" (Jr 33:3)

Bibliografia:
http://www.dicio.com.br/clamor/
http://devocionais.amoremcristo.com/devocionais_texto.asp?id=748
http://www.osarrafo.com.br/v1/2011/11/28/para-as-igrejas-evangelicas-barulhentas/
Bíblia sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil 2 ed Barueri SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1988, 1993.

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