Dalai-Lama

Na história do Tibete, religião e política se tornaram uma coisa só, resultaram em um estado teocrático, ou seja, em um país governado por um líder religioso, representante da divindade no plano terreno. Na verdade, porém, este governante é um monge e um lama – que significa guru, mestre, aquele que orienta seus aprendizes. Este orientador espiritual é aceito por todas as escolas budistas, principalmente pela escola Gelug.

A palavra Dalai significa ‘oceano’ em mongol, e muitas vezes referem-se a este líder como ‘Oceano de Sabedoria’, especialmente a partir do terceiro Dalai Lama, Altan Khan, que foi designado dessa forma pelo governo da Mongólia, título transmitido agora para todos os seus sucessores. Estes mestres são considerados a manifestação física de Avalokiteshvara, o ‘Bodhisattva da Compaixão’ – entidade de alta sabedoria que tem como objetivo tornar as pessoas melhores, auxiliar em seu aprimoramento. Na língua tibetana este ser é conhecido como Chenrezig. Já a expressão tibetana para Dalai Lama é Gyawa Rinpoche, ‘grande protetor’, ou Yeshe Norbu, a ‘grande jóia’, a única autoridade religiosa que pode, além do papa, ser nomeado como Sua Santidade. . Quando cada um destes mestres morre, os monges realizam uma pesquisa exaustiva para descobrir a identidade com a qual ele renasceu.

Tenzin Gyatso, originalmente Lhamo Dhondrub, é o 14° Dalai Lama. Ele nasceu em 1935 e, enquanto estava no governo do Tibete, residia no Palácio de Potala ao longo do inverno e na morada de Norbulingka durante o verão, na capital deste país, Lhasa. Mas isso só foi permitido ao mestre até 1959, quando os chineses do regime comunista invadiram o Tibete. Desde então o Dalai Lama vive no exílio, na Índia, na localidade de Dharamsala, onde vive em uma pequena cabana e de onde exerce seu governo. Este monge é doutor em filosofia Gorgon, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1989 e detém pelo menos cem títulos honoris causa. Não é por acaso que ele é tão respeitado no mundo todo, pois hoje ele é uma rara presença espiritual em busca do diálogo, da paz e da compaixão.

Sua jornada pelo planeta tem início em 1967, quando pela primeira vez ele deixa a Índia e vai para o Japão e a Tailândia. A partir deste momento ele não parou mais, segue pregando seus ensinamentos e exemplificando a tolerância, a compreensão, a resignação ativa e um profundo amor. Militante dos direitos humanos, especialmente dos que concernem á sua terra natal. Ele é um guerreiro incansável, mas suas armas são as palavras, e seus meios são os mais pacíficos. O prêmio que recebeu chamou a atenção do mundo inteiro para sua causa, e provocou uma situação constrangedora para o governo chinês. Atualmente o Dalai Lama já não reivindica a independência de seu país, mas sim que ele se torne uma área autônoma da China, com direito de governar-se por leis próprias, preservar sua cultura e sua escolha religiosa, o que não lhe é possível sob o jugo do governo chinês.

Incansável estudioso, abriu caminhos para a união da ciência com a espiritualidade. Em 1987 ele discutiu durante uma semana, ao lado de cinco cientistas do Ocidente, questões que envolvem uma aproximação dos princípios budistas e os das ciências do conhecimento. Desde então meios científicos têm aberto espaços de debates e pesquisas sobre a práxis espiritual, o que cria perspectivas de novos horizontes nas duas esferas. O mestre incentiva a convivência entre as diferenças e a articulação de todos em benefício do avanço da humanidade. Escreveu vários livros, entre eles “A Arte da Felicidade”, “A Arte da Felicidade no Trabalho”, “Bondade, Amor e Compaixão”, “O Livro da Sabedoria” e “Minha Terra e Meu Povo”. Seus ensinamentos abrangem desde a esfera espiritual, o meio ambiente, o campo científico, a paz, os direitos humanos, o treinamento da mente, entre outros. Ele é reconhecido e respeitado internacionalmente.

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