Deificação

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

A Deificação é o ato de divinizar algo ou alguém. Os cristãos especialmente da Igreja Ortodoxa utilizam o termo Teósis para representar o processo de transformação de um fiel que coloca em prática os ensinamentos de Jesus Cristo e seus Evangelhos. Esse ato é também chamado de Deificação, uma variação do primeiro termo. Os crentes o utilizam em função da semelhança ou da união espiritual com Deus como passos de um objetivo de vida espiritual, sendo a última etapa o derradeiro momento da transformação. Assim, traça-se um caminho que se inicia pela purificação, depois passa pela iluminação e, por fim, o indivíduos alcança a santidade ao se unir com Deus.

Para os fiéis, a pessoa pode participar na vida de Deus através da santidade. Isso seria uma recompensa conquistada em função de vários anos de luta em vida para colocar em prática os ensinamentos e acumular o conhecimento divino. O crente seria capaz de ressuscitar depois de vencer completamente o pecado e a morte, concepção fundamental para a teologia cristã.

A Deificação é um importante elemento de poder na cultura Ocidental. Por esta ser extremamente baseada na doutrina cristã, a transformação de um homem em ser divido, aproximando-o de Deus, o coloca em uma posição de destaque e rende prestígio ao seu território de origem. Em alguns casos, o reconhecimento da santidade de um homem é uma decisão política. O que é uma característica muito marcante, especialmente, no decorrer da Idade Média justamente por causa dos elementos citados anteriormente. Em um mundo de constantes disputas e com o extremo poder da Igreja Católica, suas determinações decidiam caminhos da sociedade e da cultura, sendo responsável por vários processos da humanidade. Com o passar do tempo, advento da Modernidade e da Contemporaneidade, situações como essas se tornaram progressivamente mais contestadas. A Idade Moderna levantou o questionamento da centralidade no mundo ser humana e a Reforma Protestante aboliu em sua doutrina a imagem de santos, figuras divinizadas. Por sua vez, a Idade Contemporânea ampliou o processo de laicização da sociedade, eliminando das decisões políticas as influências religiosas.

Apesar da perda da influência do Cristianismo em decisões fundamentais da história da humanidade ao longo da Contemporaneidade, especialmente séculos XX e XXI, a Deificação ainda é algo presente, em função de sua tradição cultural. Não possui mais a força política e social de outrora, mas é de grande valor cultural para os fiéis. A própria Igreja Católica tornou o processo mais rigoroso como ferramenta para enobrecer a transformação da pessoa em um ser divino. Para tal conversão ocorrer, um conselho católico averigua a ocorrência de milagres relacionados ao indicado a ser deificado.

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