Epitalâmio

O Epitalâmio é um hino matrimonial de caráter religioso. Ele tem como objetivo requerer as graças divinas para os noivos, particularmente as de Himeneu, deus que favorece os laços nupciais. Este cântico pode ser definido como um louvor público e suntuoso, especialmente centralizado no nubente que apresenta o melhor status social.

É declamado normalmente por um cantor e um coro, os quais clamam às divindades que derramem sobre os recém-casados a felicidade permanente. De início o epitalâmio era recitado nos aposentos da futura esposa na noite em que o matrimônio seria realizado, e assim se diferenciava do gamelios, entoado na festa ou durante a refeição solene, e do hymenaios, enunciado ao longo da caminhada dos noivos até a nova residência.

Já o hino cantado na hora do matrimônio em si era conhecido como coemético, enquanto o epitalâmio celebrado ao amanhecer, logo depois da lua-de-mel, era intitulado egértico; visava louvar os recém-casados enquanto eles vivenciavam o primeiro espertar do casal.

Na antiga Grécia o epitalâmio era entoado por corais de garotas e garotos, enquanto se ouviam melodias tocadas em flautas e liras. Este espetáculo era realizado ao longo da procissão e diante da residência dos recém-casados. Entre os autores destes cânticos, destacavam-se a poetisa Safo, Estesícoro e Teócrito. Ela se transformaria em fonte de inspiração para os latinos que exercitavam esta mesma ode de natureza religiosa.

Certamente este hino nupcial também foi adotado no Império Romano, embora estes adotassem algumas variantes. Seus cânticos eram entoados após o canto de melodias do povo e concluídos com refrões alegres. Na literatura latina celebrizaram-se os epitalâmios de Claudiano e Catulo, mais libertinos que os cultivados entre os gregos.

Spenser adotou a palavra protalâmio em relação à epitalâmio para definir a glorificação aos nubentes antes da cerimônia. Era comum encontrar hinos nupciais até o século XVII, principalmente no continente europeu. O pesquisador Massaud Moisés afirma que o ‘Cântico dos Cânticos’, encontrado nas Sagradas Escrituras e possivelmente criado pelo Rei Salomão, também pode ser incluído no rol das odes epitalâmicas.

O hino nupcial mais célebre no idioma português foi concebido por Basílio da Gama para a filha do marquês de Pombal. Graças a ele o autor obteve o perdão das autoridades e não foi exilado em Angola; além disso, conquistou inúmeras graças do Ministro. Outros poetas brasileiros adotaram esta modalidade literária, entre eles Cruz e Silva e Cláudio Manoel da Costa.

Em Portugal, mais recentemente, o epitalâmio foi desenvolvido por Sá de Miranda - Epitalâmio Pastoril -, Domingos Caldas Barbosa e Fernando Pessoa – Oepithalamium, de 1921. Na literatura moderna são igualmente encontrados alguns exemplos destes cânticos: Ronsard e Malherbe, na França; Marini e Metastasio, na Itália; na Inglaterra, Crashaw, Donne, Sidney, Jonson e Spencer, que compôs um hino para seu próprio matrimônio.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epital%C3%A2mio
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/101167

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