Exorcismo

A palavra exorcismo vem do grego exorkismós, que significa “ato de fazer jurar”, designando a cerimônia religiosa em que se expelem os demônios ou espíritos doentios das pessoas possuídas. Segundo a Igreja Católica, ele se define pela ação de expulsar espíritos malignos de indivíduos, locais e objetos subjugados por estas entidades. Esses possessos são submetidos a um ritual praticado por alguém com autoridade para tal fim – segundo a Igreja, os padres católicos. O processo de expulsão pode incluir orações e juramentos.

Este exercício espiritual acompanha as diversas religiões ao longo da história e da caminhada da humanidade. Este tema é controverso e divide grupos e filosofias espirituais. O assunto é abordado atualmente não só nos círculos sagrados, mas também nas esferas consideradas profanas, tais como o cinema, programas televisivos, livros e outros setores artísticos. A presença espiritual na vida das pessoas, a atuação e influência dos espíritos sobre a humanidade, sempre exerceram um intenso magnetismo sobre o homem, atraindo-o ou causando profunda repulsão, presente em debates ou gerando polêmicas. Na verdade, só mudam os termos, as diversas formas de manifestação e o caráter dos ritos realizados.

Entre os egípcios, babilônicos e judeus, desgraças e enfermidades eram explicadas como conseqüências da atuação de seres demoníacos, e a solução era optar, entre outros meios, pelo exorcismo, na tentativa de apartar estes seres do convívio humano. Antes da oficialização do cristianismo, este ritual era efetivado por qualquer cristão, mas depois passou a ser um monopólio dos sacerdotes católicos, embora seja uma prática cada vez mais rara, reservada a eclesiásticos com maior experiência, e sob permissão das autoridades da Igreja. A justificativa para isso é que Jesus teria privilegiado seus seguidores ao lhes ensinar os métodos para expulsão dos demônios, e este saber seria herdado pelos futuros padres – uso da água benta, colocação das mãos sobre o possesso, juramentos, sinais da cruz, preces, salmos, cantos, entre outros.

Na Idade Média as crenças e superstições levam as pessoas a ver e sentir demônios por toda parte, obsessão estimulada pela Santa Inquisição, instituição criada pela Igreja Católica para julgar e condenar heresias e mulheres consideradas bruxas. Foi uma época obscura, de muito medo, perseguição e mortes nas fogueiras. Bastava acreditar em conceitos diferentes dos pregados pelos meios oficiais católicos, e o indivíduo já era considerado herege. Depois dos exorcismos, as fogueiras eram os meios mais radicais de se eliminar a presença dos seres demoníacos.

Atualmente, antes de recorrer ao exorcismo, os especialistas procuram ter certeza de que se trata de uma história real de possessão, e não um distúrbio de natureza emocional. No catolicismo são utilizados pelo menos três espécies de exorcismo – os batismais, aplicados a toda criança no momento do batismo, para que ela fique livre de todo mal, presente em todas as almas que nascem, em conseqüência do pecado original; os simples, nos quais um determinado local ou objeto é consagrado para ser liberto da pressão de energias maléficas; e os reais, exercidos sobre pessoas possessas.

Nas igrejas pentecostais o ritual é mais simples e eficaz. Durante a cerimônia, o pastor invoca “o nome de Jesus”, com as mãos sobre a cabeça do indivíduo, e então a pessoa fica livre dos espíritos que a possuem. Entre os evangélicos que exercem essa prática no Brasil estão: a Igreja Pentecostal de Jesus Cristo, a Universal do Reino de Deus, que se vale de rituais nada convencionais, a Renascer em Cristo, e outras mais. Entre os católicos, os carismáticos defendem o uso constante dos exorcismos, porque são os mais próximos dos pentecostais em termos de práticas e de crenças.

Na esfera científica, a parapsicologia é o ramo que alimenta sua visão particular do exorcismo, buscando distinguir os acontecimentos de ordem inerente às leis da Natureza e os extra-sensoriais dos que têm como fonte fatores espirituais. Temas como exorcismo, vida depois da morte, e outros conectados às dimensões espirituais têm despertado um interesse crescente no público norte-americano e no europeu, geralmente mais céticos e objetivos.

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