Gnosticismo

Gnosticismo é um termo derivado do grego "gnosis", que significa conhecimento, e é utilizado atualmente para se referir ao conjunto de doutrinas espirituais praticadas por várias sociedades cristãs e não cristãs por volta do primeiro e segundo século de nossa era. O conhecimento a qual faz referência o termo gnosticismo é o basicamente o conhecimento interno, da própria alma, ou seja, o autoconhecimento, e valorizava, assim, mais a busca individual do que a união comunal pregada no cristianismo ortodoxo, pleno de rituais.

Assim, o gnosticismo não se trata de uma escola organizada com uma única filosofia, e portanto, sua origem não pode ser atribuída, embora seja possível localizar influências ou fontes, tanto antes como para depois do primeiro séculos a.C. São exemplos de proto-gnosticismo os tratados do Corpus Hermeticum, os escritos apocalípticos judeus, e, especialmente, a filosofia dos neoplatonistas.

Apesar da grande variedade de seitas gnósticas, de compositores e seus propagadores, alguns elementos em comum podem ser mencionados como modo de ligar esses diferentes grupos sob o título livre de "gnosticismo" ou "gnosis". Impera entre tais movimentos é uma certa forma de "rejeição do mundo anti-cósmico" que tem sido muitas vezes é confundido com mero dualismo.

Assim, segundo os gnósticos, o mundo concreto, material, simboliza uma criação imperfeita de um ser divino, supra-cósmico, considerado a emanação definitiva de uma hierarquia divina, o chamado Pleroma.

Entre a figura do ser divino e da humanidade em geral está o Demiurgo (do grego demiourgos, ou "artesão"), que é responsável pela formação do mundo material. Este artesanato é apenas uma imitação do reino do Pleroma, mas o Demiurgo é ignorante deste, e acaba por se declarar como o único Deus existente. A partir desta construção inicial, o praticante do gnosticismo passa a rejeitar o mundo material como uma construção imperfeita, produto do erro e da ignorância, e passa a promover a ideia de um mundo mais elevado, na qual a alma "esclarecida" ou "conhecedora" do mistério acabará por voltar.

Até o século XX havia a discussão sobre a época de irradiação das doutrinas gnósticas, se elas teriam precedido o século I ou não. De fato, até hoje não se descobriram vestígios da prática gnóstica anterior à Era Cristã. Com a descoberta dos códices de papiro em Nag Hammadi (popularmente conhecidos como manuscritos do Mar Morto), muitas das questões sobre o gnosticismo foram solucionadas.

Entre os movimentos gnósticos, duas correntes principais se destacam, a persa (mandeísmo, maniqueísmo) e a sírio-egípcia (valentianismo, escritos tomasinos, basilideanismo, setianismo). Logo, porém, o cristianismo ortodoxo já procurava combater o gnosticismo, considerado heresia. É certo que muitos ensinamentos chegavam bastante próximos do ensinamento da Igreja em Roma, mas a prática em si era danosa para o cristianismo na medida em que estimulava a busca individual da iluminação, sem a necessidade de ida à missa, comprometimento com os sacramentos, etc. Assim, os gnósticos eram combatidos em trabalhos literários, sendo o mais famoso deles o Adversus Haereses, de são Irineu, documento escrito no século II e que por muito tempo foi a única fonte que comprovava a existência de evangelhos apócrifos, ou gnósticos, como por exemplo, o Evangelho de Judas.

Bibliografia:
MOORE, Edward. Gnosticism (em inglês) Disponível em: <http://www.iep.utm.edu/gnostic/>. Acesso em: 06 ago. 2012.

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