Mandeísmo

Por Emerson Santiago
É denominada Mandeísmo a religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica, praticada atualmente no Iraque e nas comunidades emigradas deste mesmo país. Os mandeístas recebem tal designação devido à etimologia da palavra "manda", que em mandeu (linguagem com origens no idioma aramaico, na verdade uma subespécie da mesma) significa conhecimento, e que em grego corresponde exatamente a gnosis (conhecimento).

Os Mandeístas são os seguidores de João Batista, acreditando que ele seja o Messias enviado por Deus para salvar as nações, ao invés de Jesus Cristo, a quem o cristianismo reservou tal papel. Praticam também rituais de batismo e o seu livro sagrado é o Ginza Rba ("O Grande Tesouro" em mandeu).

O cristianismo em seus primeiros séculos de existência teve diversos sectos que bem podem ser classificados como gnósticos, em outras palavras, com uma visão intimista e hoje bastante heterodoxa em relação à interpretação dos ensinamentos de Jesus Cristo, reforçando, entre outros conceitos, a busca da verdadeira espiritualidade dentro da própria consciência de cada indivíduo, uma espécie de autoconhecimento espiritual muito comum a religiões orientais como o budismo, taoísmo e hinduísmo. Tal autoconhecimento, de certo modo, conflitava com a nascente igreja cristã e suas instituições, e por isso, foi bastante combatido, desaparecendo gradualmente.

Como o mandeísmo não guardava uma relação tão direta com o cristianismo, isto permitiu a tal religião que permanecesse sendo cultuada e se desenvolvendo a seu modo. O problema enfrentado pelo mandeísmo foi o de sobreviver, estando em uma região onde duas grandes e populares religiões convivem e "disputam" muitas vezes o espírito dos crentes: o cristianismo e o islã.

O mandeísmo tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos sectos gnósticos. Ao invés de uma grande plenitude, existe uma clara divisão entre luz e trevas. O senhor das trevas recebe o nome de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é comumente referido como "a grande primeira vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos". Quando tal ser emanou, outros seres espirituais se corromperam, sendo que eles e seu senhor Ptahil criaram o mundo como conhecemos.

Atualmente, os seguidores desta religião gnóstica sofrem imenso preconceito dentro do Iraque, país que ironicamente possui uma diversidade de povos e religiões convivendo em um mesmo território. Muitos mandeístas, por esta mesma razão, têm optado por deixar o Iraque, desprendendo-se assim de sua comunidade original, pondo em risco a perpetuação do culto, e outros têm mesmo adotado o islamismo para fugir aos enormes preconceitos sociais.

Bibliografia:
Mandeísmo. Disponível em http://www.religicionario.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=993:mandeismo-&catid=36:abcde&Itemid=37. Acesso em: 01 out. 2011.

FERES, Osvaldo R. Mandeísmo: a fé em João Batista. Disponível em http://mundoawenalternativo.blogspot.com/2009/05/mandeismo-fe-em-joao-batista-e.html. Acesso em: 01 out. 2011.