Manuscritos do Mar Morto

São conhecidos como Manuscritos do Mar Morto uma coleção de 972 manuscritos reproduzindo as escrituras hebraicas, além de trabalhos extra-cânone descobertos entre 1947 e 1956 em cavernas da região de Khribet Qumram, no então Mandato Britânico da Palestina, atualmente conhecida como Cisjordânia.

Escritos em hebraico, aramaico e grego, os textos datam de cerca de 150 a.C. até 70 d.C., e são de enorme importância histórica e religiosa, por constituírem as mais antigas cópias de documentos bíblicos e extra-bíblicos, evidência da diversidade de filosofias religiosas que povoavam a Palestina da época.

Em um primeiro momento, a autoria dos textos foi creditada à seita judaica dos essênios, que praticava uma forma radical de judaísmo, isolando-se em mosteiros localizados no meio do deserto. Pesquisas recentes vêm contrariando este primeiro entendimento, atribuindo a autoria dos documentos a sacerdotes judeus do secto saduceu, mas várias teorias sobre sua origem ainda permanecem.

Mesmo sem um consenso sobre a autoria dos mesmos, o fato é que alguma seita derivada do judaísmo ou mesmo de alguma divisão do judaísmo decidiu esconder os papéis em onze cavernas de uma região relativamente isolada, de modo a preservá-los. O conteúdo destes manuscritos está assim dividido: 40% são de textos reproduzindo livros da Bíblia Hebraica; outros 30% são de documentos apócrifos ou pseudepigráfos (documentos falsamente atribuídos a determinada personalidade religiosa, ou então de valor canônico duvidoso); o restante 30% são de documentos "sectários", ou seja, de correntes menos ortodoxas e convencionais do judaísmo da época.

Os Manuscritos do Mar Morto, uma das maiores descobertas da arqueologia moderna, tiveram um longo caminho até receberem os cuidados de arqueólogos e especialistas na área de conservação de antigos artefatos. Os primeiros a encontrar os papéis foram dois irmãos, pastores beduínos da área de Qumram, que ficaram em posse de alguns deles durante certo tempo. Estes, ignorando o conteúdo do que possuíam, tentaram várias vezes sem sucesso oferecê-los à venda a diversos comerciantes da região de Belém, até que finalmente, especialistas norte-americanos descobriram sua existência, recrutando instituições especializadas que finalmente adquiriram os documentos, encontrando também os restante dos manuscritos nas outras cavernas da região. Até mesmo um anúncio curioso foi publicado no Wall Street Journal, em 1954, e que anunciava os manuscritos "para venda, ótimo presente para instituições educacionais ou religiosas".

Alguns dos manuscritos foram publicados logo após a sua descoberta. Todos os da primeira caverna foram reproduzidos em livro por volta de 1950 e 1956, sendo que os das oito cavernas seguintes seriam reproduzidos por volta de 1963. Em 1965 foram lançados os Salmos contidos na caverna 11, sendo que as traduções para o inglês logo se seguiram. Atualmente, alguns dos documentos estão sendo digitalizados de modo a estarem disponíveis a todo o público.

Bibliografia:
GOLB Norman. On the Jerusalem origin of the Dead Sea Scrolls (em inglês). Disponível em <http://oi.uchicago.edu/pdf/jerusalem_origin_dss.pdf>. Acesso em: 09 out. 2011.

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