Thomas Merton e a Educação Espiritual

Thomas Merton, escritor que representou o pensamento católico no século XX, nasceu no dia 31 de janeiro de 1915. Ele optou pela vida monástica e ingressou na Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, mais conhecida como Ordem Trapista, na Abadia de Gethsemani, em Kentucky.

Merton dedicou-se também à poesia, à militância social e ao estudo das religiões comparadas. A maior parte de sua obra, que engloba pelo menos setenta livros, enfoca principalmente a questão da espiritualidade. Para este pensador,aprender a viver no mundo de hoje passa, inicialmente, pelo autoconhecimento, o qual permite que o Homem conquiste uma existência independente e a livre expressão.

Uma vez concluído este processo, o ser está pronto para conceder ao meio social o que ele tem de melhor em si mesmo, pois alcançou a plena consciência de seu eu e do que tem para doar ao outro. Portanto a educação, segundo Merton, não tem como objetivo impor padrões pré-estabelecidos de comportamento e de significação do indivíduo, e sim possibilitar que ele estabeleça, por si mesmo, sua própria identidade na esfera em que habita.

O universo é uma entidade dinâmica, composta de seres atuantes e pulsantes, em constante interação consigo mesmos e uns com os outros, da qual resultam frutos significantes; este é o mundo concreto, ainda mais consistente se seus integrantes se revelarem mais vivos e cientes de sua autonomia.

A independência está essencialmente ligada ao poder de livre escolha do Homem e a sua habilidade de se relacionar no estágio mais íntimo; mas esta liberdade não se deve deixar guiar pelas ilusões, pelos descaminhos existenciais, pelas experiências superficiais, pois esta jornada equivocada distrai o ser humano de seu real objetivo, a conquista do autoconhecimento.

Merton não atingiu este conhecimento sem antes cumprir uma difícil jornada na busca da Verdade, caminho tortuoso, em grande parte percorrido nas trevas da ignorância, focando sempre no distante raio da luz do saber. Sua obra se destaca especialmente pela vontade de atingir a sabedoria, intercalada pela necessidade de interagir com o mundo real.

Este ícone do pensamento espiritual no século XX teve a oportunidade de viver em duas realidades, a das sensações materiais e a do misticismo monástico; talvez por isso tenha se revelado um dos mais importantes porta-vozes de sua época, debatendo todas as principais questões do ser humano no mundo contemporâneo.

Merton cultivava uma visão integralmente ecumênica da sociedade humana, o que contribuiu para que fosse visto como um dos pioneiros no campo da educação inter-religiosa e da teologia da libertação. Suas reflexões estão compiladas principalmente em sua autobiografia, A Montanha dos Sete Patamares, na qual esboça sua trajetória existencial, e no seu diário, inserido no livro Merton da Intimidade, onde é possível encontrar seus dilemas, tentações, embates, e a interação com as mais variadas tradições religiosas do Oriente.

Fontes:
http://reflexoes-merton.blogspot.com/2006_07_01_archive.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_Trapista
http://www.unicap.br/revistas/agora/numeros/2/arquivos/artigo%206.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Merton

Arquivado em: Religião