Wicca

Por Ana Lucia Santana
A Wicca é uma religião que resgata o paganismo, preservando características iniciáticas e sacerdotais, baseada nos ancestrais cultos de fertilidade que se desenvolveram na Europa Antiga. É conhecida como ‘Bruxaria Moderna’, embora seus rituais estejam ligados aos primitivos ciclos solares e lunares e às mais diversas manifestações da Natureza.

Esta prática renasceu no mundo contemporâneo graças aos esforços do inglês Gerald Brosseau Gardner, por volta dos anos 50 e 60. Seus estudos acerca do paganismo tiveram início precocemente, em viagens realizadas ao longo da Ásia e da Europa, mas apenas na década de 40 ele sistematizou uma religiosidade fundamentada nos antigos cultos pagãos.

Como apenas em 1954 se erradicou a última lei vigente contra o exercício de bruxarias na Inglaterra, foi possível trazer a público suas crenças e rituais, instituindo assim definitivamente a tradição Wicca, depois de um longo aprendizado com uma sacerdotisa, que o teria iniciado em um Coven – grupo de bruxas – britânico, de quem ouviu a palavra que lhe inspiraria a batizar o movimento por ele criado. Esta expressão vem do idioma arcaico da Inglaterra – Wicce ou Wicca -, denotando ‘feminino/masculino’, em clara alusão à prática de magia ou aos seus adeptos, também se estendendo às pessoas consideradas sábias.

Embora a Wicca se fundamente no antigo paganismo, não se pode afirmar que ele tenha sobrevivido ao longo do tempo, mas sim que ele foi retomado parcialmente nos dias de hoje, em nova versão, na qual se mesclam aspectos ancestrais, dos quais pouco se conhece, e noções modernas sobre bruxaria. Os livros de Gardner, Witchcraft Today, de 1954, e The Meaning of Witchcraft, de 1959, estimularam o interesse de um número cada vez maior de pessoas interessadas no resgate desta cultura.

A Wicca se encontra hoje dispersa em várias tradições, com diferentes rituais e modos de pensar, apesar de todas seguirem um modelo fixo no que diz respeito à teologia e à liturgia, mesmo que algumas pareçam distantes das idéias estabelecidas por Gardner no modelo que se tornou conhecido como Tradição Gardneriana. Outras práticas Wicca se desenvolveram, e também não é difícil encontrar discípulos que inovam ao elaborarem seu próprio culto aos deuses antigos. Muitos adeptos, atualmente, optam por praticar sozinhos os preceitos da Wicca, o que não os impede de se reunirem para a realização de alguns rituais.

Os interessados em seguir este caminho devem se empenhar nos estudos e nas pesquisas em uma bibliografia séria, depois devem procurar membros de um Coven honesto, para que assim eles possam conhecer em profundidade esta religião. Assim eles estarão aptos a distinguir o que é certo e o que é errado nesta prática, e quem é o melhor sacerdote/sacerdotisa para iniciá-lo nesta jornada.

Apesar de Wicca e Bruxaria serem geralmente confundidas e assimiladas uma à outra, elas são distintas entre si. Embora seus adeptos se apresentem igualmente como bruxos, a Wicca é uma religião de caráter iniciático, composta por diversas tradições, nas quais os discípulos progridem, evoluindo através dos diferentes graus de iniciação, e são comandados por uma Alta Sacerdotisa ou por um Alto Sacerdote.

Há Covens, porém, que não se valem deste método de graus. Sozinhos, alguns seguidores desta religiosidade festejam seus próprios rituais, sem a companhia de outros bruxos, e também podem excepcionalmente se unir a outros nestas datas especiais. Mas todos celebram igualmente a Deusa ou o Deus, mudando tão somente a intensidade do valor que conferem a estas divindades. Geralmente as tradições cultuam igualmente Uma e Outro, simbolizando o equilíbrio entre o Feminino e o Masculino. É importante enfatizar que não há nestes cultos nenhuma presença do Mal Absoluto, o que derruba a tese dos cristãos de que a Wicca esteja relacionada a devoções satânicas.