Formigas em Ambiente Hospitalar

A maior parte das espécies de formigas são benéficas para o ambiente e para o homem, pois promovem a aeração do solo, decompõe substâncias orgânicas, participam do processo de reciclagem de nutrientes e controle passivo de herbívoros. Entretanto algumas espécies podem gerar prejuízos, seja como praga agrícola, como as cortadeiras, ou via contaminação de alimentos e até danificação de aparelhos eletrônicos em ambiente urbano, sendo consideradas também pragas urbanas.

Formigas do gênero Solenopsis. Foto: USDA / Stephen Ausmus

Formigas do gênero Solenopsis. Foto: USDA / Stephen Ausmus

Estudos iniciados na década de 70 em ambientes hospitalares, indicavam a a ocorrência de algumas espécies de formigas que poderiam representar potencial perigo à saúde pela capacidade de atuar como vetores de doenças, principalmente relacionadas a infecções hospitalares. Atualmente os estudos já demonstram que esses insetos transportam microrganismos patogênicos, alguns resistentes a antibióticos representando risco potencial de infecção em hospitais devido à sua grande mobilidade no interior destes ambientes.

As formigas, em geral, são oportunistas e onívoras, ou seja exploram os ambientes urbanos em busca de alimento. Alguns fatores podem influenciar na ocorrência em especial nos hospitais: devido à estrutura arquitetônica e proximidade a residências. As formigas podem ser levadas para dentro do ambiente hospitalar via embalagens de medicamentos que transportam ninhos e por alimentos que contenham algum atrativo.

As formigas mais comuns em ambiente Hospitalares são:

  • Solenopsis ou popularmente chamada de Lava-Pé ou Formiga-de-Fogo
  • Camponotus vulgarmente chamada de Formiga-Carpinteira
  • Tapinoma conhecida como Formiga-Fantasma

Nos vários ambientes hospitalares foi observada a presença das espécies de bactérias Salmonella sp, Staphylococcus aureus, Klebsiella sp e Acinetobacter sp, transportadas por formigas. Tais bactérias são causadoras de salmonelose, gastroenterite e até mesmo pneumonias, infecções no trato urinário, contaminação nos serviços de cuidados intensivos e infecções neonatais.

Antes de qualquer iniciativa de controle é muito importante conhecer a situação do local, sendo muito importante identificar as espécies, pois cada uma possui características específica e requer estratégias individuais de controle.

O controle de formigas está baseado nos métodos clássicos, tais como, o uso de químicos altamente venenosos e persistentes, que podem causar riscos à população humana e ao meio ambiente, além de fragmentação dos ninhos, elevando a população destes insetos. O controle efetivo de formigas depende da espécie envolvida, da natureza da infestação e da localização do ninho. Se o ninho for localizado, ele pode ser eliminado com o uso de água quente com detergente ou qualquer inseticida convencional. A identificação correta auxilia no controle e facilita encontrar o ninho. Atualmente existem moléculas com baixa toxicidade aos humanos, além de iscas.

Referências:
Mariana Monteiro de Castro. Interações Ecológicas e Comportamentais da Assembleia de Formigas em Ambiente Hospitalar. Doutorada em Ecologia do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Juiz de Fora. 31/10/2013. Depoimento feito ao Biólogo Bruno Corrêa Barbosa.

Campos-Farinha, A.E.C.; Justi-Junior, J.; Bergmann, E.C.; Zorzeon, F.J.; Netto, S.M.R. 1997. Formigas urbanas. Boletim Técnico do Instituto Biológico, 8:5-20.

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