História da Engenharia Sanitária

A engenharia sanitária é o ramo da engenharia que se ocupa de projetos de saneamento básico e geral como por exemplo, o tratamento de água e de efluentes, a drenagem e a limpeza urbana.

Podemos dizer que a história da engenharia sanitária se iniciou há mais de 3.000 anos a.C., data de sítios arqueológicos onde foram encontrados sinais de cidades com ruas drenadas e pavimentadas e banheiros nas residências com esgoto canalizado.

De fato, cidades como Kahum no Egito (2100-1700 a.C.), mantinham sistemas de drenagem de águas superficiais, e outras, como Knossos em Creta (1000 a.C.), tinham até sistemas e esgoto e instalações hidro-sanitárias. Mas naquela época essas instalações quando não eram feitas por necessidades impostas pela natureza o eram por religiosidade. Manter-se limpo era uma maneira de agradar aos deuses e não ser castigado com doenças.

Somente a partir de 500 a.C. é que as doenças começaram a ser relacionadas com as condições ambientais e deixaram de ser um castigo dos deuses. Nessa época Empédocles de Agrigenco, um político, filósofo, médico, místico e poeta grego nascido no sul da Sicília, realizou obras de drenagem nas águas de dois rios em Selenute, Sicília, para combater uma epidemia de malária, sendo pois, a primeira obra de engenharia sanitária (ainda que não existisse este termo) da história por possuir fins realmente sanitários. Mais tarde, o famoso ensaio médico de Hipócrates, “Ares, Águas e Lugares” (“Aeron, Hidron, Topon”), foi o primeiro trabalho a estabelecer as relações causais entre o ambiente e as doenças.

Mas foi só na década de 1840 que as medidas de drenagem, limpezas de casas e ruas e suprimento de água passaram a ser encaradas como atividades da engenharia civil e não da área médica.

Depois de um imenso retrocesso durante a Idade Média que limitou as obras de drenagem e abastecimento hídrico aos mosteiros, da invenção da “bacia sanitária com descarga hídrica” em 1778 e sua disseminação que levou à adoção de Sistemas Unitários de Esgotos (galerias para drenagem conjunta de água da chuva e esgoto doméstico) para drenar a imensa quantidade de efluentes que agora eram gerados pelas residências, e da epidemia de cólera em 1831/32, é que cidades como Londres, Paris, Amsterdã e Hamburgo iniciaram a construção de seus sistemas unitários de esgotos já no final do século XIX.

Entretanto, o sistema não funcionava para lugares com índices pluviométricos altos, como os países de terceiro mundo situados na faixa do Equador incluindo o Brasil, pois seria necessária a construção de canais enormes que custariam caro demais.

O problema é que os países que possuíam esses sistemas como medida para evitar o surgimento de doenças não estavam dispostos a arriscar uma epidemia que poderia ser trazida pelos marujos dos países subdesenvolvidos e sem sistemas de drenagem. Assim, o intercâmbio comercial poderia ser prejudicado. Para evitar que isso acontecesse com o Brasil, D. Pedro II contratou os ingleses para resolver os problemas sanitários de São Paulo e Rio de Janeiro. Para resolver o problema os engenheiros construíram um sistema que recolhia além dos efluentes domésticos apenas as águas pluviais provenientes de telhados, pátios e outras áreas pavimentadas interiores reduzindo os custos do projeto. Estava criado o Sistema Separador Parcial.

Mas o último passo nessa fase da história da engenharia sanitária foi a criação do Sistema Separador Absoluto em 1879 pelo engenheiro George Warning, que o implantou na cidade de Memphis (Tennessee, EUA). O sistema, caracterizado pela utilização de uma rede coletora exclusiva para a água da chuva e outra exclusiva para efluentes domésticos, passou a ser adotado no mundo todo. No Brasil, a obrigatoriedade do uso desse sistema a partir de 1912 deve-se a Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, considerado o patrono da engenharia sanitária no Brasil.

Fontes
http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Historia.html
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/12/18/materia.2006-12-18.7098109763/view

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