Masturbação

Por Ana Lucia Santana
A masturbação é um ato que permite ao corpo humano vivenciar o prazer individualmente ou como uma atividade a mais na relação sexual entre parceiros. Esta expressão tem sua origem no psicólogo sexual Havelock Ellis, que realiza uma união entre dois termos latinos – ‘manus’, que significa ‘mãos’ e ‘turbari’, com a conotação de ‘esfregar’. Ela expressa, portanto, a ação de excitar os genitais de forma manual ou através do uso de objetos, com o objetivo de conquistar prazer sexual, acompanhado ou não do orgasmo.

Esta atividade pode ser encontrada em vários mamíferos, especialmente nos primatas maiores, e na Humanidade, tanto entre homens quanto em mulheres, podendo começar na própria infância, não como uma ação deliberadamente erótica, mas muitas vezes como gratificação oral, quando a criança põe algo na boca, um objeto ou elementos de seu corpo. É uma maneira dela investigar suas sensações e descobrir renovadas fontes de prazer. A masturbação na infância se desenrola mais ou menos entre os três e seis anos.

Na adolescência, além das necessidades biológicas e dos desmandos hormonais, as pessoas recorrem à masturbação como um caminho alternativo para transbordar os desejos sexuais do cotidiano, além de usá-la também como um preservativo natural, pois assim evita-se uma gravidez precoce. Alguns estudiosos acreditam que esse comportamento é importante para se exercitar a futura prática sexual do adulto. Este geralmente conserva o hábito da masturbação, quer como um acessório da vida sexual a dois, quer como uma opção para a segurança dos parceiros, aliviando as carências do sexo sem correr o risco de adquirir doenças de natureza sexual ou evitando uma concepção indesejada.

Entre os integrantes da terceira idade, ela é necessária para suprir a ausência de um parceiro, pois infelizmente cultiva-se na nossa sociedade uma crença equivocada, a de que homens e mulheres dessa faixa etária não cultivam mais a sexualidade a dois. Pode também continuar funcionando como um mecanismo complementar de satisfação sexual entre os casais.

Embora na Grécia Antiga a liberdade moral permitisse às pessoas praticarem a masturbação como algo natural, no Ocidente cristão a culpa relacionada a esse ato e às fantasias decorrentes dele é universal, pois muitas religiões e culturas condenam sua realização. Algumas doutrinas consideram-na inclusive como um pecado que deve ser evitado a todo custo, pelo menos nas aparências. São Tomás de Aquino, por exemplo, a tinha na conta de um crime contra a natureza, pior que o incesto. Durante algum tempo, a própria Ciência a condenava, pois se acreditava que cada espermatozóide era um feto em miniatura, portanto gastá-los inutilmente era um crime terrível, uma doença. Estas concepções, somadas a várias histórias criadas para proibir esta prática, estimularam os complexos de culpa que perduram até nossos dias.

Hoje, porém, especialistas recomendam aos pais que permitam aos seus filhos praticar a masturbação como algo saudável e privado, oferecendo a eles a privacidade necessária e a resolução simples de suas dúvidas. Estes estudiosos consideram este ato, portanto, como uma etapa saudável da vida sexual humana. Quando, no entanto, a masturbação se tornar um veículo de fuga da realidade, um ato compulsório, deve-se procurar uma orientação psicológica.