Anti-intelectualismo

Anti-intelectualismo é o nome dado à prática de desprezar o cultivo da inteligência, o sistema educacional convencional, e em última instância, o pensamento racional. Geralmente, anti-intelectual está convencido de que os valores introduzidos pelas inovações científicas e tecnológicas são responsáveis pela maioria das injustiças sociais no mundo, e como consequência, pela maior parte do sofrimento humano.

Há alguns séculos, o ser humano deixou de utilizar a religião para explicar boa parte dos fenômenos naturais e sociais, e acolheu o humanismo, que coloca o homem como figura central da dinâmica cotidiana. Tal mudança trouxe consigo constantes revoluções tecnológicas, mudando para sempre os valores cultivados pelo ser humano.

Para muitos cidadãos dos países desenvolvidos, porém, as inovações científicas passaram a gerar um vazio espiritual, moral e social, que a ciência não se preocupa em abordar. Isso recentemente provocou uma nova ascensão da religião e a adoção de novas práticas místicas e moralistas. A partir daí identificamos o surgimento de um “não-intelectualismo”, cuja prática consiste em desprezar vários conceitos e fenômenos já explicados cientificamente. Logo, este novo fenômeno social é denominado anti-intelectualismo, onde valores morais e sociais estão acima do cultivo da inteligência. Um anti-intelectual costuma interpretar toda a inovação como “maligna” porque vai alterar o que é confortável (e por conseguinte, forçá-lo a aprender coisas que vão além do mundo o qual lhe é familiar, de sua criação). Aquilo que melhora a vida da humanidade passa a ser indesejado.

Talvez não seja apropriado falar em um movimento anti-intelectual organizado, com um objetivo definido, mas há claramente uma onda de natureza conservadora e religiosa em atividade, principalmente nos Estados Unidos. Podemos identificar personagens que agem claramente em prol destas ideias, muitos deles em postos importantes na política, geralmente integrantes da direita conservadora. Eles aparecem com frequência na mídia, sendo responsáveis por declarações bastante controversas, como por exemplo, a crença na oração como meio eficaz para evitar tornados, ou ainda, divulgando a ideia de que o conceito de aquecimento global é parte de uma conspiração terrorista para minar os recursos naturais do país.

Certamente, o episódio mais famoso da investida anti-intelectual refere-se à pressão pela inclusão da teoria criacionista de desenvolvimento humano no currículo de biologia nas escolas. Influenciados pela religião, e por uma interpretação literal da Bíblia, vários cidadãos foram à justiça para que uma teoria de criação da espécie humana mais simpática aos ensinamentos religiosos fosse transmitida a crianças e adolescentes, ao lado da teoria da evolução das espécies, proposta por Charles Darwin, que ainda hoje se mostra mais próxima da realidade.

Bibliografia:
A ascensão do “anti-intelectualismo” nos EUA. Disponível em: < http://tecedora.blogspot.com.br/2012/07/ascensao-do-anti-intelectualismo-nos.html >.
Anti-intelectualismo. Disponível em: < http://blog.dehumanizer.com/2006/12/25/anti-intelectualismo/ >.

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