Darwinismo social

Charles Darwin escreveu A Origem das Espécies, em 1859, e, logo após a publicação, teve alguns adeptos da teoria de Darwin, chamada de darwinismo. Na perspectiva de Hawkins, o darwinismo é uma teoria biológica sobre como novas espécies são formadas, e existem algumas que caminham a se extinguir. Darwinistas acreditavam que traços herdados que eram fortes juntamente às mutações propiciavam a continuação das espécies. Os teóricos sociais que aceitaram o darwinismo estavam engajados em algo mais do que a reiteração da preocupação com natureza das idades e seus ritmos.

Hawkis acredita que o darwinismo social não pode ser visto como simples variação destes antigos temas sobre fisionomia e evolução, exceto no senso geral de compartilhar a dificuldade com a mudança social. O darwinismo social busca viabilizar a própria teoria social como tradicionalmente concebida e praticada. Antes da publicação A decadência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo (1871), de Darwin, pesquisadores europeus e americanos já iniciaram explorando possibilidades de aplicação da teoria do livro escrito por Darwin em 1859 de maneira social e psicológica e verificar a eficácia. Para Hawkins, os darwinistas sociais apoiavam dois fundamentos sobre a natureza humana, que esta era interligada com psicologia animal, e que evoluía através da seleção natural.

De acordo com Cashmore, o termo “darwinismo social” foi designado na década de 1880. Este era entendido como ideologia política que utilizava argumentos de existência uma evolução social provinda da seleção natural e sexual de variações favoráveis herdadas. No início do século XX, alguns pensadores tomaram compreensões diferentes desta perspectiva de evolução social. O grupo da Sociedade de Eugenia relacionava a seleção natural, de Darwin, junto com a teoria populacional. Spencer acreditava que o meio ambiente, e as características herdadas eram fatores principais diferenciais na seleção natural.

Segundo Pesavento, darwinismo social era o uso de estudos de antropometria, frenologia e antropologia criminal para comprovar uma hierarquia racial entre povos e raças. Pesavento analisa a implantação de medidas decorrentes do darwinismo social numa casa de correção, na cidade de Porto Alegre, no Brasil. Esta prática se acentua no século XIX, e, segundo Ellis, Lombroso retoma pesquisas sobre fisionomia, que associava a forma anatômica com questões sociais. Ellis considera Lombroso como um dos principais médicos a promover estudos do físico dos criminosos, associando sua anatomia a seus crimes. Assim, Lombroso analisou e mapeou padrões comuns dentre estas pessoas, e isto ficou conhecido como antropologia criminal ou fisionomismo.

Bresciani ao analisar a representação da pobreza na literatura e em políticas relacionadas aos pobres, verifica que, na década de 1880, o darwinismo social impulsionou a justificativa biológica para a teoria de degeneração urbana hereditária. As características físicas compreendidas como degradas se aproximavam mais da criminalidade e, assim, de traços ligados a uma anormalidade. Os traços físicos de judeus, por serem pobres, e formas de agir de pessoas homossexuais eram alguns indícios que Ellis descreveu que tenderiam à criminalidade. Então, o darwinismo social se tornou um mecanismo para que políticas pudessem criminalizar e prender pessoas com traços e que agissem de forma fora do que era tido como normalidade.

Desta forma, o darwinismo social apresentou-se de várias maneiras, e foi implantado por políticas de controle e evolução social. O darwinismo social foi utilizado como embasamento de práticas da antropologia criminal, que buscavam nas características físicas verificar possíveis criminosos. Dentro dos adeptos do darwinismo social havia abordagens diferentes para erradicar a degradação social, desde o século XIX até o XX.

Bibliografia:

BRESCIANI, Maria Stella M. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1982, 127 p.

CASHMORE, Ellis. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Selo Negro, 2000, 598 p.

ELLIS, Havelock. The Criminal. Londres: G. Bell & sons. 381 p. Disponível em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5824862k.r=vidocq.langEN.

HAWKINS, Mike. Social Dawinism in European and American Tought, 1860-1945: Nature as Model and Nature as Threat. Cambridge: Cambridge University Press, 1997, 344 p.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Visões do cárcere. Porto Alegre: Zouk, 2009, 380 p.

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