Pastoral do Idoso

O sonho da criação da Pastoral do Idoso se concretizou em 1993 quando, no Aeroporto de Londrina, duas pessoas muito preocupadas com a questão da Terceira Idade se encontraram – Dra. Zilda Arns, que acabava de comemorar o aniversário de 10 anos da Pastoral da Criança, e o geriatra e então Presidente da SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – do Paraná, Dr. João Batista Lima Filho.

Dessa aparentemente casual união de duas mentes sintonizadas na mesma questão, surgiu a idéia de criar a Pastoral do Idoso, uma teia de fraternidade direcionada para esta faixa etária, com a finalidade de acompanhar não só as crianças e seus familiares, mas também os membros mais velhos das comunidades carentes. Principalmente porque ambos têm a consciência de um predomínio cada vez maior da faixa de terceira idade na população brasileira.

Entre 1994 e 1995 produziu-se o Manual de Orientação De Bem com a Vida, escrito pelo Dr. João Batista Lima Filho e por Sophia Sarmiento, material que inspirou todo o mecanismo de educação dos líderes comunitários. Esta obra prescreve o tratamento e os cuidados científicos que se deve ter com os idosos, elaborado com singeleza justamente por ter como público-alvo os integrantes da comunidade.

Somente nos anos de 1987 e de 1988 é que a Pastoral assumiu seu verdadeiro formato, reproduzindo nesta organização o mesmo método utilizado pela Pastoral da Criança. Ou seja, também nesta entidade há a intenção de formar lideranças que transmitam tanto o conhecimento necessário, quanto o sentimento de solidariedade, aos membros da Terceira Idade e as suas famílias, no seio das quais se encontram os mais aptos a acompanhar o desenvolvimento destes idosos.

Inicialmente o projeto, ainda em caráter experimental, foi empreendido no Paraná. A cada dirigente comunitário foi atribuída a supervisão de 10 idosos, o que foi realizado por meio de visitas às suas residências e pesquisas com índices próprios da organização. Em 1999 a Pastoral deu início ao seu período de crescimento, disseminando-se por outros recantos do Brasil. Neste ano foi celebrado também o Ano Internacional do Idoso.

Mas, apesar de todos os esforços, de uma Campanha da Fraternidade direcionada para a Terceira Idade, em 2000, e da vigência do Estatuto do Idoso a partir de 2004, este projeto ainda navega em águas incertas. Com a morte de Dona Zilda Arns, no Haiti, em 2010, a Pastoral corre sérios riscos, pois ela era a única liderança sólida desta entidade.

O problema principal são as assinaturas de convênios, que esbarram na carência de políticas públicas para os idosos. Zilda havia acabado de fechar, em novembro de 2009, um convênio com o Ministério da Saúde, no valor de R$ 600 mil, o que permitirá à Pastoral sobreviver por mais um ano. Se for realizada uma analogia com a Pastoral da Criança, financiada pelo mesmo órgão oficial desde o ano 2000, e que dele recebeu nada menos que R$ 34 milhões, não será difícil verificar que a quantia destinada aos idosos é praticamente insignificante.

A esperança da Pastoral do Idoso reside no frágil orçamento da União para os idosos em 2010, o qual totaliza R$ 4,6 milhões. Sem a presença da carismática Dra. Arns, não se sabe se esta organização conseguirá angariar novos convênios. Atualmente a entidade acompanha 158 mil idosos em 770 cidades. O objetivo de seus integrantes é ampliar o atendimento para mais 15% de idosos. O futuro é uma incógnita para a Pastoral, a qual em muitos momentos depende do esforço e da boa vontade dos voluntários.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u684149.shtml
http://www.pastoraldapessoaidosa.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13&Itemid=27

Arquivado em: Sociedade