Sagrada Coroa Unida

A Sagrada Coroa Unida (Sacra Corona Unita) é uma organização criminosa da cidade italiana de Puglia que mantém atividades em Taranto, Lecce e Brindisi e possui representantes nos Estados Unidos (Illinois, Flórida, Nova York). O grupo foi originalmente fundado no final dos anos 70, quando Rafaelle Cutolo, que instalou a Nova Camorra Organizada em Nápoles, foi até Puglia para reforçar suas fileiras.

Segundo o livro O Século do Crime, de Claudio Tognolli e José Arbex Jr., “Cutolo batizou quarenta criminosos locais como homens de sua confiança e admiração. Com o empuxo de Cutolo, os batizados organizaram-se em duas composições, nomeadas Nova Grande Camorra Pugliese e Nova Grande Camorra de Puglia”.

Em 1983, Cutolo acaba perdendo poder devido a conflitos com seu maior inimigo, Carmine Alfieri. Nesta época, as máfias de puglia começam a operar comandadas por Giuseppe Rogoli, que misturou o interesse e oportunidades da Sagrada Coroa Unida com a tradição da 'Ndrangheta  e da Camorra.

A SCU iniciou suas atividades ilegais com fraudes, contrabando de armas, cigarros; e tráfico de drogas. Uma das características principais do grupo é a habilidade de transitar entre as máfias italianas, além de fazer inúmeras alianças com outros grupos criminosos como as máfias russas e albanesas, cartéis de drogas da Colômbia, Yakuza e as Tríades Chinesas.

As atividades do grupo intensificaram-se nos anos 90. De acordo com a Interpol, neste período, começaram o tráfico de entorpecentes pela rota dos Balcãs, organizaram ações criminosas contra a Comunidade Econômica Européia e a Aima (Alternative Investment Management Association); e iniciaram uma série de fraudes e manipulações de contratos e licitações públicas. Os números da Sagrada Coroa Unida na década impressionam. Em 1993, as autoridades italianas confiscaram uma quantia de 60 milhões de dólares em bens.

Contando com 50 clãs de aproximadamente dois mil membros, a Sagrada Coroa Unida tem um sistema de organização hierárquica vertical com três níveis de poder. Neste esquema, os membros podem passar de um nível para o outro de acordo com seu desenvolvimento no grupo. Os rituais de batismo indicam que alguém subiu na cadeia mafiosa, um simbolismo que provavelmente veio da associação inicial com a Camorra.

No topo, existe uma comissão interna que avalia e ameniza brigas dentro do grupo, esquematiza assassinatos, cria sistemas de corrupção e insere seus membros dentro de grupos políticos. Apesar das diferenças entre os membros, os grupos da Sagrada Coroa Unida tem mais autonomia do que os membros da Cosa Nostra. O chefão (capo) só pode ser consultado quando existem problemas internos de segurança e suspeitas de agentes duplos dentro do grupo.

Após a elevação do lucro ganho pela máfia pugliese nos anos 90, ocorreu uma diminuição no contrabando na área dos Balcãs devido a diversas operações policiais e judiciais, além da normalização da região. Com isso, a Sagrada Coroa Unida teve parte de seu poder econômico, número de membros a atividades reduzido.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Sacra_Corona_Unita
http://www.aima.org/en/media_centre/press-releases.cfm/id/C015088A-71B9-4269-BD252F323D6AB989
ARBEX, José & TOGNOLI, Claudio. O século do crime. Boitempo. São Paulo, 1996

Arquivado em: Itália, Sociedade