Trote Estudantil

Por Thais Pacievitch
O trote universitário ou trote estudantil é uma espécie de ritual de iniciação dos calouros, ou seja, dos estudantes que, por terem sido aprovados no vestibular, ingressaram no ensino superior. O trote acontece nos primeiros dias de aula, sendo que os responsáveis pelo trote são os veteranos, alunos que já estão cursando o ensino superior.

Esse tradicional ritual de iniciação é marcado por atividades nas quais os veteranos submetem os calouros a situações humilhantes, degradantes, e por vezes violentas, diferentes de um pressuposto ritual de acolhida e integração.

Segundo historiadores, o trote surgiu na Europa, na Idade Média. Foi trazido para o Brasil pelos estudantes da elite brasileira que cursavam o ensino superior em Portugal.

Atualmente, algumas instituições de ensino superior promovem o trote solidário, ou trote cidadão. Nesse trote não há violência, humilhações e bebidas. Ao invés dessas práticas, os veteranos organizam atividades a serem realizadas pelos calouros, como, por exemplo, plantar árvores, doar sangue, doar alimentos não perecíveis.

Sujar os calouros com tinta, farinha, lama, ovos e raspar a cabeça dos rapazes são práticas tradicionais, que deveriam respeitar a disposição dos calouros a participar, sem qualquer tipo de pressão. Na prática, não é isso que acontece. Além disso, as substancias utilizadas para esse tipo de trote são cada vez mais “preparadas” como ovos podres, água de peixe, vômito, entre outros, sendo que algumas vezes tais “preparos” são ingeridos pelos calouros, obrigados pelos veteranos.

Os trotes geralmente começam como uma brincadeira regada a bebidas alcoólicas como cerveja, uísque, entre outras. E, alguns tipos de trotes os veteranos induzem, e por vezes forçam os calouros a se embebedarem até ficarem inconscientes. Pedir dinheiro no semáforo, o “pedágio”, para recuperar peças de roupas, calçados e objetos pessoais “confiscados” pelos veteranos também é prática comum.

Alguns casos extremos tornaram-se públicos por meio da mídia, como o caso do calouro que morreu afogado em uma piscina durante o trote em São Paulo, ou dos veteranos que foram expulsos após obrigarem um calouro a deitar em cima de um formigueiro em Minas, que só não morreu por não ser alérgico a picada de insetos.