História das greves

Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)

A história das greves está relacionada com a classe trabalhadora assalariada que surgiu durante a Revolução Industrial. As greves eram eventos raros no século XIX, principalmente porque eram ilegais. Foi no século XX, especialmente em momentos de crise econômica, que as greves começaram a fazer parte do repertório de ações coletivas da classe trabalhadora.

As principais demandas das greves são: melhores condições de trabalho, melhores salários, e o tempo de trabalho. A luta maior por trás dessas exigências é a disputa entre trabalhadores e empresários sobre o poder do trabalho, ou seja, o controle que os trabalhadores possuem ou não sobre seu próprio trabalho.

A intensificação da ocorrência de greves no Ocidente aconteceu após sua legalização. Isso exigiu dos trabalhadores que eles se organizassem para realizar as greves, monitorar a incidência e pensar melhores estratégias para que elas alcançassem os efeitos desejados. Os sindicatos foram os principais responsáveis por sua organização, bem como por guardar informações e estatísticas sobre elas em todo o mundo. Também por isso, os sindicatos fazem parte da história das greves.

Os Estados Unidos e a Inglaterra são os países com o maior índice de greves registradas no século XIX e início do XX, principalmente devido ao grau de industrialização desses países. Foi também no século XX que grandes crises econômicas aconteceram, como a Quebra de 1929 e o período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Nos anos próximos a estes grandes eventos as greves se intensificaram, como por exemplo a Greve Geral de Seattle, em 1919.

Pode-se dizer que após os anos 1950, com a expansão da industrialização por quase todo o mundo, incluindo os países subdesenvolvidos, as greves tornaram-se comuns e rotinizadas, no sentido de possuírem métodos de organização e negociação semelhantes.

Nos dias atuais, as greves continuam acontecendo, mas muita coisa mudou desde a Revolução Industrial. Desde os anos 1980, com a globalização, a financeirização do capital, o novo modelo de produção industrial – fragmentado por todo o mundo –, a nova divisão internacional do trabalho, o surgimento de novas tecnologias de produção, dentre outros fatores, ficou mais complexo compreender a relação entre trabalho, produção e lucro (SILVER, 2003).

No Brasil, durante as primeiras décadas do século XX, as greves começaram a existir com frequência. O processo de industrialização tinha começado e os trabalhadores não tinham leis que os protegessem. A fim de evitar revoltas maiores, o ex-presidente Getúlio Vargas, em 1937, concedeu direitos trabalhistas.

Finalmente, o direito de greve é garantido por lei em muitos países, como no Brasil, até os dias atuais. Esta é considerada, ainda, uma das principais estratégias da classe trabalhadora para forçar os empresários, os governantes e demais grupos dominantes para reconhecerem direitos, melhores condições de trabalho e salário. Atualmente uma das principais causas relacionadas às greves em todo mundo diz respeito à terceirização, redução dos direitos trabalhistas e reformas para aumentar o tempo de trabalho.

Revisão Bibliográfia:

TILLY, C. From mobilization to revolution. New York, Random House, 1978.

SILVER, B. J. Forces of Labor: workers movements and globalization since 1870. New York, Cambridge University Press, 2003.

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