Sociologia política

Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)

De forma sintética, podemos dizer que a Sociologia Política é uma área do conhecimento científico que estuda os fenômenos políticos utilizando as teorias e metodologias típicas da pesquisa sociológica. Isso significa que a Sociologia Política é um ramo específico da Sociologia que tem por objeto a política. Mas o que é que se entende por política? Para alguns teóricos, a política se resume a disputa de indivíduos e grupos pelo controle do Estado. Para outros, a política se relaciona as possibilidades de livre participação que todos os cidadãos deveriam ter nas decisões coletivas. Dependendo a noção que se tenha sobre o que é política, altera-se a ideia de onde começa e termina o campo de pesquisa da Sociologia Política. A questão é complexa, mas, para fins de estudo, diremos apenas que entende-se por política tudo aquilo que diz respeito a gestão do que é público, isso é, daquilo que pertence a um coletivo de pessoas – incluindo recursos e instituições.

Tendo em mente esse conceito, podemos dizer que a Sociologia Política irá tratar de relacionar política e sociedade, tratando de entender as relações de poder que se configuram entre essas duas esferas. Um exemplo: quando uma associação de empresas pressiona o governo para aprovar novas leis trabalhistas que permitam uma jornada mais longa de trabalho, estamos tratando de um possível objeto de análise para o pesquisador da Sociologia Política. Isso porque, nessa situação, observamos o exercício do poder político dentro de um contexto social onde há interesses conflituosos entre dois grupos sociais (empresários e empregados). As possibilidades que diferentes grupos têm de pressionar o Estado e garantir benefícios próprios é um tema recorrente na Sociologia Política.

Logicamente, a Sociologia Política em si só surgiu após a criação da própria Sociologia. Entretanto, as reflexões a cerca das relações entre política e sociedade são bastante antigas, remontando a Aristóteles (na Antiguidade Clássica) e Maquiavel (no Renascimento). Ao lado de Toqueville e Montesquieu, estes autores podem ser considerados como os grandes precursores da Sociologia Política. Porém, é apenas com Karl Marx, Émile Durkheim e Marx Weber que essa disciplina ganha seu status científico. Esses são os três grandes fundadores da Sociologia e, pela grande atenção que dedicaram as relações entre as esferas sociais e políticas, podem também ser considerados como os pais da Sociologia Política. Marx dedicou boa parte de seus escritos a elucidar as relações entre a luta de classes e o Estado. Weber escreveu sobre os diferentes tipos de dominação política, destacando o papel da burocracia no Estado moderno. Por sua vez, Durkheim debateu o papel do Estado para a manutenção da unidade entre os indivíduos na sociedade industrial nascente.

Em meados do século XIX são publicadas no Brasil obras que podem ser consideradas como grandes precursoras da Sociologia Política nacional. Nesse período, alguns autores já se ocupavam em estudar a consolidação da estrutura política brasileira e suas relações com as características da sociedade local, suas particularidades históricas e regionais. No final deste século, Joaquim Nabuco publica O Abolicionismo, que foi, para alguns intelectuais, a primeira grande obra de Sociologia Política genuinamente brasileira. Nela, Nabuco defendia que a escravidão havia cumprido um papel fundamental na formação social, política e econômica do país, sendo a instituição central que determinaria o funcionamento de todas as esferas sociais brasileiras. A partir da década de 1930 vivemos um período super fértil da Sociologia Política no Brasil, consagrando as obras de Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior e Sérgio Buarque de Holanda como grandes clássicos dos estudos sociais sobre a formação da sociedade brasileira.

Bibliografia:

SILVA, Ricardo. Sociologia Política e ideologia autoritária. In: Revista Política e Sociedade. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política. v. 1, n. 1, setembro de 2002. p.103-128. Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/issue/view/957/showToc

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