Tradicionalismo

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

Tradicionalismo é um sistema filosófico que se baseia na tradição para manter o equilíbrio da sociedade.

Alguns filósofos e outros intelectuais consideram que a sociedade não resulta da vontade pessoal ou de imposições deliberadas de um grupo, ou seja, não se organiza como criação ou não funciona como mecanismo de alguns. Contra esta ideia, argumentam que a sociedade é uma criação que, por consequência, é regida por leis naturais. Partindo deste ponto de vista, há um conjunto de hábitos e de tendências que devem ser mantidos e respeitados para manter a sociedade em equilíbrio.

O Tradicionalismo é a ideia filosófica que considera a sociedade como criação, respeitando-a por sua tradição. Todavia, os tradicionalistas se distinguem dos conservadores por não serem avessos às inovações sociais, políticas, grupais ou individuais. Enquanto o conservador deseja manter a ordem social, política e econômica existente, o tradicionalista é mais sensível a mudanças. No entanto, por serem tradicionalistas, esta mudança não pode ser completa e radical, ela deve acontecer sem rompimento com os antecedentes morais que supostamente fundamentam a sociedade.

Evidentemente, o Tradicionalismo é contrário às revoluções, pois as predileções doutrinárias não podem ser condutoras da sociedade e determinante de seus sistemas políticos. Assim, a história deve se encarregar de dizer qual o caminho que uma sociedade deve manter. Para os tradicionalistas, as coisas não são boas por serem antigas, mas são antigas por serem boas.

As ideias tradicionalistas estão presentes em várias abordagens da vida humana. Além da imediata associação com explicações sociais, o Tradicionalismo também se arrisca em justificar questões biológicas. No início do século XX, por exemplo, o pesquisador René Quinton publicou um estudo concretizando as possibilidades da evolução, popularizando o que se chamou de lei da constância do meio vital dos seres. Os pressupostos de René Quinton agradaram imensamente aos tradicionalistas, que viram em seu enunciado um argumento de confirmação da importância de se manter as tradições e da importância que elas possuem para a vida humana e de qualquer ser vivo.

Os tradicionalistas só não são tão rígidos e intolerantes como os conservadores, porém ambos não agradam com mudanças e renovações ideológicas e do cotidiano. Naturalmente, os partidários das ideias consideradas de esquerda são os adversários imediatos, pois defendem que é preciso superar a desigualdade social, o domínio de classes e opressões causadas por estruturas que permanecem imutáveis por muitos séculos. Ou seja, argumentam que manter as tradições é uma forma de perpetuar a exploração e antigas formas de preconceito.

Fontes:
http://www.algosobre.com.br/sociofilosofia/tradicionalismo.html
http://www.seer.furg.br/hist/article/view/2340
http://www.fazendogenero.ufsc.br/8/sts/ST29/Cortez-Souza_29.pdf
Martins, Jose de Souza. Capitalismo e tradicionalismo: estudos sobre as contradições da sociedade agrariano Brasil. São Paulo. Pioneira, 1975.

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