A Tempestade

Por Ana Lucia Santana
A última obra teatral de Shakespeare, a grandiosa A Tempestade, de 1611, é vista pelos críticos como um de seus trabalhos mais singulares. Ela narra uma trajetória dolorosa, vivida pelo aristocrata Próspero e sua filha Miranda, que são obrigados a deixar o lar, por motivos políticos, e a buscar abrigo em uma pequena ilha. Nesta aventura eles contam com o auxílio de um amigo e da Providência de Deus.

Neste recanto selvagem, eles se deparam com um ser primitivo, monstruoso, a própria imagem dos instintos bestiais, Caliban, desprovido das virtudes que poderiam levá-lo a ser representado como um herói. Contraposto a ele, Próspero é o símbolo da civilização, da concepção idealizada do ser humano, mais espiritual que material, o emblema perfeito dos mais elevados desejos da Humanidade.

Talvez por isso ele seja realmente o protagonista desta peça, um ser constantemente à procura do conhecimento velado, uma espécie de sacerdote investido de vastos recursos. Caliban é o servo que lhe devota fidelidade; além dele, Próspero também tem a proteção de Ariel, uma entidade desprovida de sexo e totalmente subserviente, que tem o dom de se transformar em água, ar ou fogo.

A história se desenrola em pelo menos dois planos. No primeiro, o autor revela os esforços de pai e filha para garantirem a existência neste lugar repleto de surpresas. Ao mesmo tempo, revelações inusitadas e arrebatadoras têm como cenário esta terra estranha. A segunda direção assumida pela trama demonstra como os dons intelectuais e místicos de Próspero e Ariel se mesclam e, em conjunto, geram um naufrágio.

A intenção deste evento é posicionar nesta Ilha os adversários de Próspero, para que aí eles sejam enlouquecidos. Os dois aproveitam a situação e atraem também para este refúgio um príncipe, o qual pode se tornar o pretendente de Miranda. O autor reserva para o final desta história, que surpreende igualmente por sua verve cômica, o desenlace destas várias tramas.

Assim, o leitor irá descobrir se Próspero foi realmente vitorioso em sua revanche; o que acontece com Caliban depois que ele tem seu primeiro contato com as virtudes embriagadoras do vinho; e se os planos do protagonista para unir sua filha ao jovem príncipe também surtem o efeito desejado.

Esta obra foi criada por Shakespeare por volta de 1611 e 1612. Ao que parece, ele foi influenciado por diversas produções literárias do contexto em que viveu, particularmente pelas descrições das viagens marítimas de Pter Martur, relatadas no livro De orbo novo – Décadas no Novo Mundo ou nas Índias Ocidentais, de 1530.

Fontes:
http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_40812.html
http://pt.shvoong.com/humanities/theory-criticism/1937798-tempestade/
Ricardo Lísias. Shakespeare. O Fundador de tradições, in Cadernos Entre Livros – Panorama da Literatura Inglesa. Editora Duetto, Editor: Oscar Pilagallo.