Inseminação Artificial em Bovinos

Por Débora Carvalho Meldau
A inseminação artificial (IA) consiste no conjunto de eventos que acontecem desde a colheita do sêmen, sua análise e processamento em laboratório, a manutenção por períodos variáveis em condições extracorpóreas, até a sua introdução no trato genital de uma fêmea. O uso da IA é uma ferramenta essencial para o melhoramento genético e aumento da eficiência produtiva dos rebanhos. De todas as biotécnicas existentes que são aplicadas à reprodução animal, a IA é a mais antiga e também, a mais eficiente. Inicialmente, o objetivo era a erradicação de doenças infecciosas transmitidas pelo touro durante a monta natural, difundindo-se em seguida, como um instrumento eficaz e econômico para o melhoramento genético dos rebanhos.

A partir do momento que passaram a congelar o sêmen, a IA tornou-se mais rápida e mais controlada, viabilizando o uso de sêmen de um certo animal em épocas futuras.

Esta técnica possui vantagens em relação à monta natural, mas também possui algumas limitações:

Vantagens Limitações
Controle da transmissão de doenças infectocontagiosas da esfera reprodutiva Falta de mão-de-obra especializada
Incremento do melhoramento genético e da produção animal Utilização da técnica incorretamente
Aprimoramento do controle zootécnico
Racionalização do manejo reprodutivo
Redução dos problemas de partos em novilhas, usando-se touros com facilidade de parto
Possibilidade do nascimento de crias após a morte do pai

Para a realização desta técnica são utilizados os seguintes materiais:

  • Botijão com nitrogênio líquido
  • Sêmen
  • Luvas descartáveis
  • Bainhas descartáveis
  • Aplicador
  • Termômetro
  • Cortador de palhetas
  • Pinça
  • Tesoura
  • Papel toalha
  • Garrafa térmica
  • Recipiente para descongelação do sêmen

Antes da IA deve-se verificar se a vaca está no cio, sendo que essa verificação é de extrema importância para o sucesso do procedimento. São recomendadas duas observações ao dia, uma no início da manhã e outra no final da tarde, por um período de 60 minutos, no mínimo. Identifica-se o cio através da aceitação da monta de outros animais. É comum utilizar rufiões para esta identificação, com ou sem bucal marcador (marcando com tinta a fêmea que deixou ser montada). As vacas que estiverem no cio devem ser identificadas e, no final deste, deve ser realizada a inseminação, utilizando um método prático que é: vacas que apresentam cio pela manhã, devem ser inseminadas na tarde do mesmo dia; vacas que apresentam cio a tarde, devem ser inseminada na manhã seguinte (recomenda-se intervalo de 12 horas).

Antes de inseminar a vaca, examine cuidadosamente sua ficha, verificando os últimos acontecimentos. Caso haja alguma anormalidade ou então, caso tenha parido a menos de 45 dias, não realize o procedimento.

Os procedimentos da técnica propriamente dita são:

  • Conter o animal no tronco
  • Esvaziar o reto e observar o aspecto do muco vaginal
  • Realizar uma correta higienização do períneo e da vulva
  • Preparar o aplicador, a bainha, a tesoura, o papel toalha, a luva e a pinça
  • Aquecer a água a 37°C para descongelar o sêmen e descongelá-lo adequadamente (37°C por 30 segundos)
  • Secar a palheta adequadamente
  • Montar o aplicador com a palheta
  • Calçar a luva
  • Abrir os lábios vulvares e introduzir o aplicador na vagina
  • Introduza a mão no reto, encontre a cérvix da vaca e passe o aplicador até o corpo do útero
  • Deposite o sêmen devagar
  • Retire o aplicador e a mão do reto
  • Retire o aplicador e o braço e faça uma massagem no clitóris da vaca
  • Retire a bainha descartável e a luva e joga-as no lixo
  • Realizar limpeza do aplicador universal periodicamente
  • Anote todos os dados da IA na ficha do animal

Fontes:
http://www.altagenetics.com.br/manual/introducao.htm
http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc_pdf/DOC071.pdf
http://www.asbia.org.br/?informacoes/inseminacao_artificial

Biotécnicas Aplicadas à Reprodução Animal – Paulo Bayard Dias Gonçalves, José Ricardo de Figueiredo e Vicente José de Figueiredo Freitas. Ed: 2° (2008), p.57-81. Editora Roca.

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