Alhambra

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

O nome Alhambra, em árabe “Al Hamra” significa “a vermelha”, uma alusão à cor dos tijolos que os mouros usaram para construir os muros externos da fortaleza, cujo conjunto de construções foi edificado entre 1248 e 1354.

Em 710, uma crise dinástica no reino visigótico da Península Ibérica favoreceu a invasão dos árabes omíadas, sob a liderança de Djebel-al-Tariq (montanha de Tariq, do qual derivou o nome do estreito de Gibraltar) em 711.

A fortaleza de Alhambra. Foto: kavalenkau / Shutterstock.com

A expansão prosseguiu, empurrando os cristãos para as montanhas das Astúrias e só foi detido na França pela ação de Carlos Martel que derrotou os árabes na batalha de Poitiers em 732, restringindo a dominação árabe à Península Ibérica, região que foi denominada Al-Andalus, dando origem ao termo atual Andaluzia, enquanto os Pirineus seriam a “fronteira natural” entre o Reino dos Francos e o domínio árabe, o qual também experimentou a independência com a formação do Emirado de Córdova.

O emir árabe Zawí ben Zirí (1013-1020) fundou o reino independente de Granada no século XI. Esse reino durou cerca de 500 anos, e nesse período prosperou em sentido artístico e cultural. Chegou ao fim quando os monarcas católicos Fernando e Isabel acabaram com o domínio muçulmano na Espanha, em 1492.

A Granada dos mouros atingiu o apogeu depois que Córdoba foi conquistada pelos exércitos da cristandade em 1236. Granada tornou-se a capital do Al-Andalus.

O cenário do Alhambra impressiona pela sua aura majestática, seja pelo conjunto arquitetônico, seja pela paisagem composta pelos picos cobertos de neve da Serra Nevada.

O complexo do Alhambra encontra-se sobre o monte Sabika, um arborizada elevação de 150 metros de altitude e que ao seu redor, cresceu o bairro mouro Albayzin, a concentração dos mouriscos remanescentes à ocupação cristã.

Palácio de Alhambra. Foto: emperorcosar / Shutterstock.com

O Alhambra é muito mais do que um palácio. Poderia ser descrito como uma cidade dentro da cidade de Granada. Por trás de suas extensas muralhas encontram-se jardins, pavilhões, um complexo de palácios, o Alcazaba (ou forte) e até uma pequena medina, ou cidade. O design mouro do Alhambra e os anexos posteriores resultaram numa amostra única da delicada e intricada arte árabe, junto com as linhas mais harmoniosas e mais fortes da Renascença européia.

Observa-se que na escultura e arquitetura, os árabes construíram mesquitas, ricamente decoradas, utilizando a técnica dos arabescos (cúpulas e rendilhados esculpidos em pedra ou moldados com argamassa) e faianças (zillij em árabe), como também de palácios, observatórios astronômicos e outros prédios.

No entanto, de acordo com o preceito islâmico, era proibida a elaboração de imagens figurativas, por menos realistas que fossem e dessa maneira, as formas abstratas compostas pelas mais diferentes figuras geométricas, linhas e cores foram se tornando um caminho mais comum dentro das composições artísticas nos mais variados ambiente.

Mas por outro lado, alguns segmentos do Islã apontaram numa direção oposta, ressaltando a possibilidade de serem realizadas representações de figuras humanas ou animais, desde que não houvesse nenhuma conotação religiosa.

Dentre os pátios do Alhambra, o Pátio dos Leões, apresenta um conjunto arcadas simétricas que se sustentam em delicadas colunas de pedra esculpida.

Pátio dos Leões, em Alhambra. Foto: Cezary Wojtkowski / Shutterstock.com

Ao centro do pátio, uma fonte circular, sustentada por 12 leões de pedra, que aludem ao ciclo do Zodíaco e no seu centro, vinda de fontes minerais, salta a água, assim como sai pelas bocas dos leões, abastecendo os demais espelhos d’água do palácio, refrescando o ambiente e a visão, acompanhada de flores, arbustos e árvores frutíferas, uma verdadeira atmosfera paradisíaca.

Leia mais:

Fontes:

PIDAL, Ramón Menéndez. Historia de España. Espasa Calpe. 2000.

BUENO, Francisco. Los Reyes de la Alhambra. Entre la historia y la leyenda. Ediciones Miguel Sánchez, Granada, 2004

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