Arte fenícia

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

Na região litorânea do mar Mediterrâneo, limitada pela península do Sinai ao sul e por montanhas a leste e norte, os fenícios, povos de origem semita, se estabeleceram nesta estreita faixa de terra, onde hoje está o Líbano e dedicaram-se ao comércio, pois não havia planícies suficientes para o desenvolvimento da agricultura em larga escala como nos vales do Nilo, do Tigre ou do Eufrates.

A organização política adotada foi a de cidades-Estado, tendo destaque Tiro, Biblos e Sídon. A Fenícia, porém, dispunha de uma pequena parcela de seu território onde era possível desenvolver a pequena agricultura, mas o eixo econômico concentrava-se no comércio marítimo em virtude das grandes florestas que ali existiram. O comércio de madeira, artesanato, ourivesaria, vidro e outros artigos por eles transportados lhes garantiram a estabilidade econômica para fundarem várias colônias na bacia do mediterrâneo, como Cartago (norte da África, atual Túnis) e Gades (atual Cádis, na Espanha).

Quanto a religião, os fenícios eram politeístas com deuses relacionados com a natureza, sendo os principais Baal, o deus das alturas, tempestades e raios; Ayan, deus das águas subterrâneas e Anat, deus da guerra.

O culto politeísta favoreceu a construção de diversos templos, ação articulada pelo rei da cidade-Estado e estes trabalhos fizeram com que os fenícios não só erguessem templos para si, mas também atuassem em outros reinos, como no reinado de Salomão, rei de Israel, na construção do templo de Jerusalém, tendo no caso de sua estrutura arquitetônica, a influência sírio-fenícia: três salas consecutivas diretamente conectadas.

Templo de Eshmun, em Sídon, Líbano, construído em homenagem ao deus da cura fenício Eshmun. Foto: Marco Ramerini / Shutterstock.com

A expansão do comércio fenício promoveu a integração de mercadorias e de conhecimentos entre as diferentes culturas da bacia do mediterrâneo e Ásia ocidental: os fenícios se destacaram com o vidro, a metalurgia (tanto para objetos do cotidiano quanto para a numismática), o marfim, a madeira e os trabalhos em basalto, granito, arenito e mármore, além da cerâmica crua ou policromada.

Estatuetas de bronze de até 20 cm de altura entre outros objetos de pequena dimensão foram encontrados em maior proporção que obras de grande escala, sejam esculturas ou grandes construções. Vários são de Alepo na Síria, datados dos séculos IX-VIII a.C. As figuras femininas são mais comuns e geralmente usam uma túnica cumprida, enquanto as masculinas podem aparecer sentadas ou em pé, tendo um braço erguido e um chapéu cônico. As estatuetas que foram encontradas no Templo dos Obeliscos de Biblos, eram policromadas e cobertas de finas folhas de ouro.

Uma das principais contribuições dos fenícios foi o desenvolvimento de um sistema de escrita mais simples e prático, adotado pelos gregos para a composição de seu alfabeto. Tanto o alfabeto latino quanto o alfabeto hebraico também influências dos fenícios.

O alfabeto fenício. Créditos: uladzimir zgurski / Shutterstock.com

Destaca-se na escultura fenícia seja o sarcófago de pedra do século XIII a.C., do rei Ahiram de Biblos. O sarcófago é decorado com um friso de botões e flores de lótus, tem leões agachados acantonados na sua base, portando cenas de uma procissão fúnebre e uma figura sentada, que poderia ser uma representação do próprio Ahiram e mulheres de luto.

Sarcófago fenício - séc. XIII a.C., do rei Ahiram de Biblos. Foto: kateafter / Shutterstock.com

 

Escultura fenícia, feita em barro, encontrada em Cádiz. Foto: Jose Manuel Revuelta Luna / Shutterstock.com

Fontes:

CORM, Charles. A arte fenícia. Edições Revista da Fenícia. 1973.

GARBINI, Giovanni. O mundo antigo. Editora Expressão e Cultura. 1970.