Arte inca

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

A arte inca foi uma forma de expressão de uma civilização que se desenvolveu de modo bastante sofisticado no período entre 1100 e 1500 d.C. Os objetos produzidos pelos incas eram de metais preciosos (ouro e prata), pedrarias, com técnicas diversificadas em metais, madeiras, cerâmica, pedras, além de tecidos e plumagens bastante coloridos.

A civilização inca habitou uma ampla região da Cordilheira dos Andes, ocupando territórios entre Peru, Equador, Bolívia e norte do Chile, uma das maiores extensões se comparadas com as outras grandes civilizações pré-colombianas, como os maias e os mexicas (comumente chamados de astecas).

O Império inca era chamado de Tahuantinsuyu, que quer dizer “mundo dos quatro cantos”, pois era dividido em quatro partes. Sua capital, Cuzco, significava o umbigo do mundo. Cada um dos cantos do império era dividido em províncias de diversos tamanhos com uma capital ou centro em cada uma delas. Os governadores da cada canto do império viviam em Cuzco.

Os incas reconheciam no sol o poder de governo e elemento vital para a natureza. Por isso, como a vida dos homens necessitava de ordem no mundo, consideravam que os imperadores possuíam origem divina. Assim, eram tidos como Filhos do Sol.

As obras traziam bastante detalhes, sofisticação e luxo. Sua precisão nas representações de elementos da natureza era bastante explorada, além da decoração com motivos geométricos e abstratos.

Faca com detalhes em ouro, utilizada em cerimoniais. Foto: Jan Mitchell and Sons Collection / via Wikimedia Commons

Os incas eram muito criativos e dinâmicos em suas produções, por exemplo, o uso da flauta para homenagear os elementos da natureza e os deuses, produzidas com vários tubos de madeira e assim, também produziam uma expressão musical própria, dotada de variedade e sofisticação.

A arquitetura foi um elemento essencial da cultura inca. As construções eram erguidas com técnicas precisas e detalhadas. Calculavam a forma e o corte de pedras grandes e volumosas, as quais serviam de alicerce para as edificações. Os projetos das edificações privilegiavam a forma retangular em detrimento dos traçados circulares, porém, buscavam organizar os templos e lugares de culto a partir da observação astronômica.

Templo do Sol, em Cusco (Peru). Foto: SL-Photography / Shutterstock.com

Apesar das destruições provocadas pela colonização espanhola, algumas construções incas sobreviveram parcialmente ou integralmente, quando localizadas em lugares isolados e esse foi o caso das ruínas de Machu Picchu.

O complexo fica localizado no alto de um cerro, com mais de 3000 metros de altitude, datada da segunda metade do século XV: uma cidade sagrada, encravada na cordilheira dos Andes, cuja descoberta pelos europeus só ocorreu em 1924. Até hoje é estudada para entender sua história, antes e depois dos europeus.

A função da cidade sagrada de Machu Picchu era servir como local para as cerimônias de culto aos deuses e também, pode ter sido um lugar de refúgio durante as guerras de conquista, que aculturou a população.

Machu Picchu, Peru. Foto: life-is-adventure / Shutterstock.com

As construções das populações agrícolas eram feitas em adobe (barro e palha) ao passo que os lugares destinados à realeza e aos altos funcionários eram feitos em pedra. O desenvolvimento arquitetônico inca permitiu que eles também construíssem suas próprias casas, templos, aquedutos, palácios e fortes de grande proporção e resistência.

A cerâmica foi bastante explorada na arte e na cultura inca. Os artesãos desenvolveram técnicas avançadas e refinadas de desenho e pintura.

O desenvolvimento da policromia em diversos tons de cores foi usada na elaboração de objetos cerâmicos para uso cotidiano ou para ocasiões mais específicas como rituais religiosos ou fúnebres.

Fontes:

DE LA VEGA, Inca Garcilaso. O Universo Incaico. São Paulo EDUCSP,1992

ESCALANTE, Roberto Ojeda. The Inkas History. Lexus Editores, Peru; 2005;

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