Alcmeão de Crotona

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Alcmeão de Crotona foi um médico e filósofo pré-socrático grego da cidade de Crotona, no sul da Itália, cidade que foi o mais importante centro pitagórico da Grécia antiga, e é considerado o “avô da medicina". Sabe-se que o nome de seu pai era Perithoos por ter escrito a respeito em um tratado dedicado aos amigos Brotino, Leão e Bátilo. Sobre ele, alguns estudiosos e historiadores da filosofia afirmam ter sido aluno de Pitágoras, enquanto Aristóteles afirmava não se poder saber ao certo se ele influenciou ou foi influenciado pela escola pitagórica. Contudo, independentemente de se aceitar ou não uma das duas hipóteses acima, é certo que a doutrina de Alcmeão possuía forte semelhança com a escola pitagórica. Viveu o auge de sua existência no início do século V a.C., quando Pitágoras já possuía idade avançada. Sua obra influenciou diretamente o pai da medicina antiga, Hipócrates, além de ter supostamente influenciado Sócrates e Platão.

Alcmeão de Crotona em moeda de bronze.

Como é comum no que diz respeito aos discípulos de Pitágoras e mesmo sobre a escola pitagórica, há poucos escritos e informações a respeito de Alcmeão de Crotona. O que se pode saber de seu pensamento é transmitido até os dias atuais através da chamada doxografia, escritos de filósofos antigos que atribuem ditos e doutrinas a pensadores antigos. Diógenes Laércio, filósofo e historiador da antiguidade, escreveu sobre Alcmeão de Crotona em seu Vida e doutrina dos filósofos ilustres, sendo um dos que afirma que este era aluno de Pitágoras e que escreveu principalmente sobre medicina, mas também sobre os fenômenos naturais.

No que diz respeito ao seu caráter médico, foi discípulo da tradicional escola de medicina de Crotona. De fato, a maioria das informações sabidas sobre Alcmeão referem-se à teoria médica. Assim como os pitagóricos, o médico e filósofo grego possui uma visão esquemática geral da constituição do corpo humano e da natureza da saúde e da doença. O corpo humano é constituído de um grande número de pares de opostos, como o úmido e o seco, o frio e o calor, o amargo e o doce, etc. A saúde é obtida pelo equilíbrio entre tais pares, quando nenhum dos elementos se sobrepõe ao outro (quando há isonomia). A doença, por outro lado, obtém-se quando há desequilíbrio, quer dizer, quando um dos pares se sobrepõe indevidamente ao outro, destruindo-o e, assim, impedindo que este cumpra o seu papel. Estes pares foram, no entanto, tomados por Alcmeão ao acaso, diferindo-se, assim, dos pitagóricos, que afirmavam claramente quais e quantos são estes pares. Entretanto, intentava preencher esse esquema com a maior quantidade possível de detalhes concretos. Assim, ele tentava localizar a origem das doenças em lugares específicos do corpo, do sangue e da medula. Parece, também, ter sido o primeiro a reconhecer a importância central do cérebro para o corpo humano, a partir de estudos anatômicos que revelavam a conexão entre o cérebro e os órgãos dos sentidos, especialmente os olhos.

Sobre seu pensamento filosófico, afirmava que a alma era imortal porque, à semelhança dos seres eternos, era auto-movente, quer dizer, movia-se por si mesma sem o auxílio de alguma força exterior e, também, que este movimento era eterno, à semelhança dos seres divinos como a lua, o sol e todo o céu. Esta sua doutrina sobre a alma é a principal evidência tomada por pesquisadores para afirmar que Alcmeão de Crotona influenciou Platão.

Alguns de seus escritos filosóficos mais conhecidos são: “Das coisas invisíveis e das mortais só os deuses têm um conhecimento certo; aos homens, só conjeturar é permitido”, “o homem distingue-se dos demais por ser o único que compreende, pois todos os outros percebem, mas não compreendem” e “os homens morrem porque não podem unir o princípio e o fim”.

Referências:

ARISTÓTELES. Metafísica. Vol. II. Tradução do texto grego de Giovanni Reale. Tradução portuguesa de Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

BORNHEIM, Gerd. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Editora Cultrix, 2000.

FREDE, Michael. Essays in Ancient Philosophy. Minessota: The University of Minessota Press, 1987.

FILHO, José Marques. Alcmeão de Crotona, o avô da medicina. Disponível em: https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=307. Acesso em: 03 de Dez. 2019.

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