Benvenuto Cellini

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

Benvenuto Cellini (1500-1571) nasceu em 3 de novembro de 1500, na cidade de Florença, Itália. Seu pai era luthier, um fabricante de instrumentos musicais e esperava fazer de seu filho um grande músico. No entanto, contrariando o pai, Cellini tornou-se aprendiz de ourives, dedicando-se ao aprendizado, mas por pouco tempo, ainda em Florença e depois passando por Siena e Pisa.

Autorretrato de Benvenuto Cellini.

Viajou para Roma no intuito de obter a proteção de algum mecenas da Cúria e logo conseguiu a encomenda de um saleiro de prata para um cardeal, estreando profissionalmente com tamanha maestria que, seu patrono passou a exibir o trabalho de Cellini pelas ruas da cidade.

A proteção das artes, durante o Renascimento, foi promovida pelos ricos mercadores, banqueiros, nobres e os políticos, porque buscavam destacar-se socialmente ao contratar o trabalho dos artistas talentosos.

Dessa forma, em torno do papa Clemente VII (1523-34) se reuniam os melhores artistas e Cellini foi introduzido nesse círculo, contando com remuneração e prestígio social como integrante da corte papal.

A guerra entre a França e a Espanha, além de devastar o norte da Itália, se estendeu até Roma, que foi invadida em 1527 pelos exércitos mercenários do Imperador Carlos V.

Cellini, refugiado no Castelo de Sant’Angelo comandou um grupo de homens que protegeu o papa e alguns cardeais ali refugiados. Uma vez expulsos os invasores, Cellini foi celebrado como um herói de Roma.

Para o papa Clemente VII produziu diverso trabalhos, entre eles um medalhão de ouro com a imagem do pontífice em 1534.

Depois da expulsão do inimigo, Cellini voltou ao seu trabalho de ourivesaria, dada a qualidade e sofisticação tornaram-se obras-primas. Em 1534, o novo papa, Paulo III (1534-49), não dispensou o trabalho de Cellini, que na época era o maior artista em sua especialidade e um dos principais representantes da arte maneirista, uma forma de expressão estilística vista como a transição entre o Renascimento e a arte barroca.

Benevuto Cellini viajou para Paris e seu talento despertou rapidamente as atenções do rei da França, Francisco I de Valois, que encantado ofereceu-lhe um lugar na corte, mas Cellini não aceitou e voltou para Roma. Envolveu-se em intrigas, foi preso, acusado por seus inimigos de ter roubado joias do tesouro pontifício, porém com ajuda de amigos influentes, foi solto e resolveu voltar para França. Atendendo ao convite do rei Francisco I, dedicou-se à produção de peças que encantou a corte francesa, 1543 produziu "O Saleiro de Ouro" e a "Ninfa de Fontainebleau".

Ninfa de Fontainebleau - 1543. Foto: Guerinf / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Cellini resolveu voltar para a Itália e passou a trabalhar para o Duque Cosimo de Médici, para quem criou peças admiráveis. Cellini produziu diversos trabalhos em ouro, prata, bronze e mármore.

A estátua de "Perseu"(1545), o herói grego que matou a Medusa, "Narciso", "O Cristo na Cruz" que está no Museu do Monastério de San Lorenzo del Escorial em Madrid, "o busto de Cosimo I de Médici"(1546) e "Apolo e Jacinto"(1540), talhados em mármore, que pertencem ao Museu Nacional de Florença.

Em 1564, abandonou a vida de aventuras e casou-se com sua governanta. A partir daí, escreveu várias obras sobre sua arte e a respeito de sua vida, com isso, produziu uma obra prima, um quadro vivo do homem da Renascença, dos seus valores e se sua maneira de ser, descrevendo o mundo em que viveu: sua autobiografia "Vida" e dois tratados: "Sobre a arte do Desenho" e o "Tratado sobre a Escultura". Benvenuto Cellini faleceu em Florença, no dia 13 de fevereiro de 1571.

Fontes:

ARGAN. Giulio Carlo. História da Arte italiana: da Antiguidade a Duccio. Vol. III, São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

CELLINI, Benvenuto. Vida. Alianza Editoral, 2018.

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