Gian Lorenzo Bernini

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

Gian Lorenzo Bernini nasceu em Nápoles, Itália, no dia 7 de dezembro de 1598. Era filho de Pietro Bernini (1562-1629), um importante escultor maneirista, assim, tornara-se aprendiz no atelier de seu pai. Mudou-se com a família ainda criança para Roma, uma vez que seu pai iria realizar a decoração da Capela Paulina da Basílica de Santa Maria Maggiore.

Autorretrato de Gian Lorenzo Bernini, 1623.

Bernini (1598-1680) foi um escultor, arquiteto, pintor, cenógrafo e urbanista, um expoente da arte barroca Italiana, para alguns historiadores é tido como o maior escultor do século XVII.

Nos séculos XVI e XVII, Roma foi marcada por grandes obras, em capelas, altares, monumentos funerais e por elementos decorativos que invadiram os edifícios religiosos, o que permitiu o artista mostrar seu talento de forma precoce.

As primeiras obras de Bernini já mostravam a ruptura com o maneirismo tardio e a busca de um dramatismo com efeitos cenográficos. Foi contratado para decorar os “Jardins do Cardeal Scipione Borghese”, sobrinho do Papa Paulo V (1605-21), e em seguida, para decorar a vila do cardeal (hoje a coleção de arte constitui a Galeria Borghese).

Durante os trabalhos na Villa Borghese realizou obras primas, como “Enéas, Anquises e Ascânio”, “O Rapto de Prosérpina” onde consegue dar um efeito impressionante ao retratar as mãos de Plutão (Hades) no corpo da mulher, a qual ele tenta arrastar para o mundo inferior, e “Apolo e Dafne” (1622-1625), uma escultura em tamanho natural, que faz alusão à perseguição do deus grego Apolo à ninfa Dafne.

"O rapto de Proserpina", uma das mais famosas esculturas de Bernini. Foto: Mayara Silvestre / InfoEscola

Em 1624, Bernini foi nomeado arquiteto da Basílica de São Pedro, no Vaticano, pelo papa Urbano VIII (1623-44). A partir de então, trabalhou para todos os papas, com menor intensidade para Inocêncio X (1644-55), que preferiu outros artistas.

De suas realizações para a Basílica de São Pedro destaca-se o grande zimbório ou baldaquino (cúpula sustentada por colunas), sobre o altar central, construído em bronze escuro e dourado, sustentado por quatro colunas em espiral, apoiadas sobre uma base de mármore, debaixo da qual, segundo a tradição católica, encontra-se o túmulo de São Pedro.

Baldaquino da Basílica de São Pedro. Foto: Mayara Silvestre / InfoEscola

Em 1627, Bernini iniciou o trabalho no “Túmulo do Papa Urbano VIII”, em bronze dourado e mármore, que só o terminaria em 1647.

É também de Bernini a estátua monumental de “São Longuinho” (1628-1639), que ocupa um dos quatro nichos do centro do transepto da Basílica, e a “Estátua Equestre de Constantino”, situada em um nicho, junto da entrada norte da basílica.

Em 1629, Bernini projetou, com a colaboração de seu pai, a “Fonte Della Barcaccia”, na Piazza de Spagna. Neste mesmo ano, foi encarregado de terminar o Palazzo Barberini, da família do papa Urbano VIII, onde atualmente funciona o “Museu Nacional de Arte Antiga”.

Entre 1642 e 1643, realizou a obra da “Fonte de Tritão”, e em 1644, a pedido do papa Inocêncio X, executou a “Fonte dos Quatro Rios” na Praça Navona.

Entre 1656, a pedido do papa Alexandre VII (1655-67), Bernini iniciou sua maior obra, a Colunata que rodeia a praça na entrada da Basílica de São Pedro, cujas linhas, quando observadas do alto, se assemelham a um abraço.

Vista parcial da Colunata da Praça de São Pedro. Foto: Cristina Jurca / iStock.com

A Colunata é uma obra de grandes dimensões e possui estátuas de papas, santos e mártires católicos que adornam a parte superior de todo o conjunto. Desenhadas por Bernini, as 140 estátuas de três metros de altura, foram esculpidas por outros artistas e a obra só foi concluída em 1673.

Bernini faleceu em Roma, Itália, no dia 28 de novembro de 1680, sendo sepultado com grandes honras na Basílica de Santa Maria Maggiore.

Fontes:

ARGAN. Giulio Carlo. História da Arte italiana: da Antiguidade a Duccio. Vol. III, São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

ARGAN. Giulio Carlo. Clássico e anticlássico. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

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