Jürgen Habermas

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Jürgen Habermas (1929 – ) é um filósofo e teórico social alemão, tido como um dos mais influentes filósofos do mundo e o mais importante pensador da segunda geração da Escola de Frankfurt para pesquisa social, sendo, portanto, o principal herdeiro da filosofia social crítica produzida por esta. Construindo pontes entre as diversas tradições de pensamento filosófico e social, Habermas se dispôs a discutir com os mais diversos pensadores como Hans-Georg Gadamer, Michel Foucault, John Rawls e Jacques Derrida. Sua obra estende-se também por diversos campos do pensamento, da teoria política à estética, da epistemologia e da filosofia da linguagem à filosofia da religião. Influenciou diversos campos teóricos como direito, sociologia, teoria da comunicação, teoria da argumentação, psicologia do desenvolvimento e até mesmo teologia. Tornou-se, mais tarde, na Alemanha um intelectual público, escrevendo a respeito de temas controversos em periódicos populares.

Jürgen Habermas, 2007. Foto: 360b / Shutterstock.com

Nasceu na cidade de Düsseldorf. Ainda jovem, no ano de 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, dedicou-se avidamente à leitura de obras de literatura ocidental e aos textos de Karl Marx e Friedrich Engels, obras que, devido à ditatura nazista na Alemanha, estiveram por muito tempo proibidas. De 1949 a 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia nas cidades de Göttingen, Zurique e Bonn. Desde o início dos anos 1950, Habermas publicava seus artigos em revistas dedicadas a um público mais geral e não em revistas especializadas, o que, como apontado nos parágrafos anteriores, o pensador segue praticando.

Habermas despertou o interesse de intelectuais de esquerda no ano de 1953 com um de seus escritos de juventude, onde criticava a obra Introdução à Metafísica, do filósofo alemão Martin Heidegger. Foi, também, a partir de seu contato com essa obra que suas opiniões sobre a filosofia e sobre política, que até então eram duas áreas claramente distintas em seu pensamento, encontraram-se. Uma das coisas que chamava a atenção de Habermas na obra de Heidegger era como este filósofo eliminava, em nome da história da ontologia, a ideia da igualdade de todos perante Deus e a da liberdade de todos os seres humanos. Neste mesmo período, lia e era influenciado pelas obras de Georg Lukács, Max Horkheimer e Theodor Adorno, pensadores utilizavam-se do pensamento de Marx para fazer sua análise da sociedade contemporânea. Tais autores marcaram de maneira decisiva seu pensamento e sua produção. Em 1956, tornou-se assistente de Theodor Adorno e, assim, membro do Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt.

Seu pensamento desenvolve uma concepção de conhecimento baseada na busca racional dos seres humanos por interesses teóricos, práticos e estéticos em contraposição à concepção positivista de conhecimento, restrita ao conhecimento científico. Para Habermas, o conhecimento emerge através do diálogo em situações onde o discurso não é distorcido, onde os interlocutores, mesmo que possuam compreensões e comprometimentos intelectuais radicalmente diferentes entre si, são capazes de compreender-se mutuamente e de alcançar um consenso racional através da argumentação. Defende, também, uma concepção moderna de sentido e de verdade em oposição à concepção pós-moderna, fundamentada no relativismo. Habermas, portanto, acredita na existência de uma verdade, argumentando contra a concepção de verdade desenvolvida por pensadores pós-estruturalistas, como Derrida, que a compreendem como relativa.

Algumas das principais obras de Jürgen Habermas são O discurso filosófico da modernidade (1985), Conhecimento e interesse (1968) e Teoria da ação comunicativa (1981). Publicada em dois volumes, no primeiro Habermas desenvolve uma teoria da racionalidade comunicativa baseada no discurso, que aparece nas interações cotidianas e em argumentações científicas. O segundo volume estabelece um diagnóstico da modernidade, que sofre de uma “racionalização unilateral”, que perturba a vida comunicativa através de sistemas como o mercado e a burocracia.

Referências:

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Jürgen Habermas. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/habermas/. Acesso em: 15 de jan. 2020.

WIGGERSHAUS, Rolf. A Escola de Frankfurt. Trad. do alemão por Lilyane Deroche-Gurgel; Trad. do francês por Vera de Azambuja Harvey. Rio de Janeiro: DIFEL, 2002.

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