Valery Legasov

Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)

Valery Alekseyevich Legasov foi um cientista e engenheiro físico-químico russo, especialista em química inorgânica. Alcançou a notoriedade ao participar como chefe da comissão que investigou o acidente nuclear de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril de 1986.

Nascido dia 1 de Setembro de 1936, em Tula, cidade localizada ao sul de Moscou na antiga União Soviética, atual Rússia. Sua família era de origem modesta, composta por trabalhadores civis. Cursou os primeiros estudos em Kursk, mostrando-se excelente aluno e líder natural. Frequentou o ensino médio na escola Número 56 em Moscou, concluindo o grau com medalha de ouro em 1954. Atualmente, foi colocado um busto de bronze de Valery Legasov na entrada da escola, honrando sua passagem na instituição.

Legasov graduou-se em Engenharia Físico-Química no Instituto Dmitry Mendeleev de Engenharia Química de Moscou em 1961. No ano seguinte, iniciou estudos no Departamento de Física Molecular do Instituto de Energia Atômica de Kurtchatov. Começou como pesquisador junior, passando a sênior e posteriormente tornou-se chefe do laboratório. Em 1967 defendeu sua tese sobre a “síntese de compostos de gases nobres e o estudo de suas propriedades”, recebendo o primeiro dos dois graus necessários para graduação de Doutor.

Em 1972 concluiu o doutorado em química, com apenas 36 anos. Em 1976 foi eleito membro correspondente da Academia de Ciências da URSS e atuou como professor do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou de 1978 a 1983. Em 1981 tornou-se membro integral da Academia de Ciências da URSS, atuando no departamento de Física, Química e Tecnologia de Materiais Inorgânicos.

Em 1983 iniciou seu trabalho no Departamento de Radioquímica e Tecnologia Química na Universidade Estadual de Moscou. Lá, Legasov estudou métodos para sintetizar propriedades de novas composições com elementos em alto estado de oxidação, tecnologia nuclear, soluções para economia de energia e obtenção de energia através do hidrogênio. O conjunto de sua obra ficou conhecido como Bartellet – Efeito Legasov no mundo científico e rendeu-lhe vários prêmios estatais. Paralelamente, Legasov exercia o cargo de vice-diretor do trabalho científico no Instituto de Energia Atômica de Kurtchatov.

Participação na investigação do acidente nuclear em Chernobyl

Por conta de seu cargo, em 26 de abril de 1986 o cientista foi chamado com urgência pelo governo soviético para investigar as causas e amenizar as consequências do acidente ocorrido no reator 4 da Usina nuclear de Chernobyl, cidade próxima a Prypiat, conhecida hoje como a cidade-fantasma localizada no norte da Ucrânia. O fogo da explosão durou cerca de 10 dias e estima-se que mais de 30 pessoas sucumbiram rapidamente com a radiação aguda, entre elas os bombeiros que prestaram socorro e estavam desavisados sobre os riscos letais.

A estimativa de vidas afetadas pela radioatividade está entre 4 mil e 93 mil pessoas que morreram posteriormente, de câncer e demais complicações. Especialistas afirmam que a área ao redor não estará apta para habitação humana por 20 mil anos. Legasov ficou quatro meses na região, apesar de ser permitido passar no máximo duas semanas no local. Nesse período, o cientista foi exposto a 100 REM (Röentgen Equivalent in Man – unidade de medida de radiação), o quádruplo do máximo permitido, que é de 25 REM. Durante a sua intervenção, Legasov tomou medidas essenciais para evitar mais explosões e orientou a evacuação da cidade mais próxima, Prypiat.

Em agosto de 1986 ele apresentou um relatório para a Agência Internacional de Energia Atômica em Viena, com 400 páginas revelando negligência e corrupção do governo que permitiu o uso de instrumentos inadequados nos reatores e pessoal despreparado.

Em 27 de Abril de 1988, Legasov cometeu suicídio por enforcamento. Foi utilizada uma corda especial de escaladores e o nó estava amarrado profissionalmente. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Novodevichy em Moscou. No dia 20 de Setembro de 1996, Boris Yeltsin, presidente da Rússia na época, concedeu a Legasov postumamente o título honorário de "Herói da Federação Russa" por sua coragem e heroísmo na investigação do desastre de Chernobyl.

Leia mais:

Fontes:

https://br.rbth.com/historia/82364-valeri-legassov-tchernobil

https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/chernobyl-que-verdade-o-que-ficcao-na-serie-da-hbo-23695605

https://www3.unicentro.br/petfisica/2019/06/14/valery-legasov-1936-1996/

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