Belém

Graduado em Geografia (UFG, 2017)

Capital do Pará e situado na região Norte do país, Belém que foi fundada em 1616, possui uma extensão territorial de 1.059,458 km². Segundo estimativa do IBGE de 2019, a população do município é de 1.492.795 habitantes, sendo o décimo segundo mais populoso do país e o segundo da Região Norte. Quem nasce em Belém é chamado de belenense.

Mapa de Belém do Pará. Fonte: IBGE.

História e o crescimento de Belém

A cidade de Belém foi fundada em 12 de janeiro de 1616, pelo Capitão-mor português Francisco Caldeira Castelo Branco, que era responsável pela Coroa por conquistar, ocupar, explorar e proteger a foz do Rio Amazonas contra os holandeses e ingleses.

Ao ser fundada, a cidade tinha como nome “Feliz Lusitânia”, mudando posteriormente para Santa Maria do Grão-Pará. Nesse período colonial, a economia da pequena cidade dependia da coleta das drogas do Sertão, da agricultura de subsistência, pecuária e pesca.

No século XVIII, a cidade começou a avançar pela mata, ganhando mais distância do litoral. Belém não era mais apenas um ponto de defesa, e sim um ponto de penetração do interior e de conquista do Amazonas.

Entre os anos de 1890 e 1920, a cidade viveu o período de maior destaque na economia brasileira. Com a Era da Borracha, Belém – que tinha bastante árvores que tinham látex – naquela época foi considerada a cidade brasileira mais desenvolvida e uma das mais ricas do mundo, já que o município e sua ocupação cresceu com a produção, e contava com tecnologias que cidades do sul e sudeste do Brasil não possuíam. Nesse período, chegaram vários imigrantes europeus que acarretou no grande crescimento populacional na capital.

Entre as décadas de 1960 e 1970, a cidade de Belém passou por um intenso processo de verticalização e crescimento de seu perímetro urbano, como também impulsionou a ocupação de municípios vizinhos por parte da população de baixa renda. Tal crescimento foi impulsionado pelo processo de industrialização que ocorreu no país, que previa desenvolver a região da Amazônia integrando-a para o restante do Brasil.

Nesse processo, Belém recebeu muita infraestrutura (como rodovias, hidrovias) e muitas indústrias que atraíram mais migrantes para o município e para as cidades vizinhas, possibilitando um maior desenvolvimento econômico.

Porto de Belém. Foto: Gustavo Frazao / Shutterstock.com

Economia de Belém

A economia de Belém é bastante diversificada. Suas atividades se baseiam nas atividades de comércio, prestação de serviços, turismo e atividade industrial – com destaque para indústrias alimentícias, navais, metalúrgicas, químicas, entre outras.

A cidade de Belém é bastante dinâmica e integrada ao país. A cidade conta com os portos mais próximos da Europa e dos Estados Unidos, que movimentam muitas mercadorias exportadas, além de ferrovias e hidrovias que passam pela capital.

Outra fonte rentável da economia belenense é o turismo, que anualmente atrai muitos turistas do país. Destaca-se na cidade as diversas possibilidades de cultura e lazer, relacionado ao turismo religioso – com destaque para procissão do círio de Nazaré-, cultural, gastronômico e o turismo fluvial – já que a cidade tem várias ilhas em seu entorno-.

Em 2015, o PIB de Belém foi de pouco mais de 29 bilhões de reais, sendo o segundo maior da Região Norte e o décimo segundo do país. O PIB per capita, no mesmo ano foi de R$ 20.034,40. Já o IDH do município, em 2010, foi de 0,746 – considerado médio -, segundo o IBGE.

Problemas urbanos de Belém

A cidade de Belém enfrenta muitos problemas socioambientais em seu espaço urbano. Segundo o Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU), a capital paraense junto com sua região metropolitana foram avaliadas como os lugares de pior qualidade de vida do Brasil, com índice de 0,251 de uma escala de 0 a 1.

Um dos principais problemas existentes no município são as condições precárias de saneamento básico, acessibilidade e o descuido com o meio ambiente que afeta a dinâmica urbana do município. Esse descaso é comumente visto em Belém, já que existem alguns bairros dentro da capital que sofrem com o lixo nas ruas e esgotos a céu aberto. Segundo a Prefeitura, existem 600 pontos de descarte irregular de lixo na cidade.

Em relação ao saneamento básico, estima-se, que em 2010, segundo o IBGE, a coleta de esgoto adequada não estava disponível para todos os habitantes da cidade, atingindo 67,3% das residências existentes.

Outro problema frequente em Belém é a favelização e a ocupação irregular dos moradores na capital. Segundo o IBGE, o município tem o maior déficit habitacional do país, com mais de 100 mil famílias morando em cortiços, palafitas, barracos, e moradias inadequadas, englobando quase metade da população belenense.

A violência urbana é outro problema urbano que assola Belém. Segundo a Secretaria de Estadual de Segurança Pública do Pará, em 2018, 855 pessoas foram mortas na região metropolitana da cidade, que justifica o dado da ONG Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, que coloca a capital como a segunda mais violenta do Brasil e a décima primeira do mundo, levando em conta sua taxa de homicídios, 67,41 homicídios para 100 mil habitantes.

Aspectos físico-naturais

Relevo de Belém

A região de Belém, tem seu relevo marcado por baixos platôs amazônicos e planícies litorâneas. A elevação da cidade é muito baixa variando entre 15 a 30 metros de altitude, que justifica a grande presença de baixadas inundáveis no município. A baixa elevação altimétrica na cidade justifica a influência de marés altas no clima capital.

Clima

O seu Clima Equatorial característico junto com a presença da Floresta Amazônica, faz com que Belém seja a capital com maiores índices de precipitação do país, chovendo até mesmo no período de estiagem. A grande quantidades de chuvas em Belém interfere até no cotidiano da sua população, que marcam encontros e compromissos após o horário que acontece a chuva. As temperaturas são altas durante todo ano, média 26,5 °C, e a precipitação varia entre 2000 e 3000 mm anuais.

Hidrografia

Os principais rios que cortam a cidade de Belém são o Rio Acará, que abriga algumas das ilhas e praias mais visitadas da cidade; o Rio Amazonas que é bastante útil para economia por ser um rio navegável onde são escoados vários produtos que são exportados e é onde ocorre o fenômeno da pororoca; e o Rio Guamá que é utilizado para abastecer 75% das residências do município.

Referências:

https://www.cdp.com.br/documents/10180/26801/Diagn%C3%B3stico+ambiental_Porto+Organizado+de+Bel%C3%A9m.pdf/dd85c77c-276e-4b55-8212-98f8c9d7e380

https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pa/belem/historico

http://www.resag.org.br/congressoresag2017/anais/download/trabalho/240

https://revistas.pucsp.br/metropole/article/download/15816/11840

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