Belo Horizonte

Graduado em Geografia (UFG, 2017)

Capital de Minas Gerais e mais conhecida como “BH”, a cidade de Belo Horizonte tem uma extensão territorial de 331,401 quilômetros quadrados, e uma população estimada em 2019 pelo IBGE, de aproximadamente 2.375.151 pessoas, se constituindo no sexto município mais populoso do país. Quem nasce em BH é chamado de belo-horizontino.

Mapa de Belo Horizonte. Fonte: IBGE. Clique para ampliar.

A história de Belo Horizonte e sua escolha como capital

A cidade de Belo Horizonte foi fundada em 1701, quando ainda era chamada de Arrial Curral del Rei.

Com o fim do período da exploração do ouro, a antiga capital mineira Ouro Preto sofreu um declínio em sua economia e já não tinha mais um desenvolvimento físico-urbano correspondente à uma capital estadual, já que seus índices econômicos estavam em recessão e a cidade tinha um relevo muito acidentado que dificultava a sua ocupação.

Desse modo, o governo mineiro decidiu transferir a capital para outro município. A partir de inúmeras sessões no Congresso do Estado e com o aval do engenheiro Aarão Reis, o arraial foi escolhido para abrigar a nova capital de Minas, pelos seguintes fatores:

  • Sua posição geográfica: estava localizada no Centro de Minas Gerais;
  • Tinha um relevo mais plano que Ouro Preto e uma altitude considerável – 800 metros -;
  • Tinha um clima bastante ameno;
  • Possuía uma rica bacia hidrográfica em seu interior;

Com a escolha já definida, em 1893, o arraial foi elevado à condição de município e começou a ser construída, e mais tarde foi nomeada como a nova capital de Minas Gerais, ganhando o nome de Cidade de Minas. Em 1901, o governo do Estado alterou o nome para Belo Horizonte, em função da capital ter o mesmo nome de sua unidade federativa.

A ocupação e o crescimento de Belo Horizonte

No processo de planejamento da nova capital, foi determinado que ela abrigaria até 2000 cerca de 100 mil habitantes. Em seus primeiros anos até a década de 1920, a cidade praticamente não cresceu e ficou estagnada, muito por conta da crise mundial que atingia o país. Sua dinâmica urbana se limitava aos serviços administrativos, e à serviços hospitalares especializadas no tratamento de tuberculose.

Entretanto, foi somente a partir da década de 1940 que Belo Horizonte começou a crescer. A industrialização que chegou no país, e teve seus primórdios na Região Sudeste, chegou à Belo Horizonte e promoveu o crescimento econômico e populacional da cidade. Junto com as indústrias, foi construído o Complexo Arquitetônico da Pampulha, que hoje é o principal ponto turístico da cidade.

Na década de 1950, com a chegada de migrantes de outros municípios e estados brasileiros, a população que na década de 1940 era de 350 mil habitantes passou a ter 700 mil. Frente a esse crescimento desordenado, a prefeitura de Belo Horizonte deu início à elaboração de seu primeiro Plano Diretor. Na década de 1960, a cidade crescia e sua paisagem se modificava radicalmente passando por um vertiginoso processo de verticalização.

Nas décadas seguintes a cidade ganhou dimensão de metrópole nacional e continuou seu rápido crescimento populacional. Isso gerou um inchaço urbano no município e causou a ocupação de cidades vizinhas como Contagem, Betim, entre outros, originando um processo de conurbação urbana. Desse modo, em 1973, foi instituída a Região Metropolitana de Belo Horizonte, que atualmente é composta por 34 municípios, e é a terceira maior região metropolitana do país abrigando aproximadamente 5,5 milhões de brasileiros, segundo o IBGE em 2018.

Economia de Belo Horizonte

Em 2015, o Produto Interno Bruto do município foi de aproximadamente R$ 87 bilhões de reais, correspondendo a 16,82% do PIB mineiro sendo o quarto maior do país. Em 2016 segundo o IBGE, o PIB per capita do Estado foi de R$ 35.122,01. O IDH do município, em 2010, foi de 0,810 – alto -, segundo o IBGE.

Belo Horizonte é considerada um dos maiores centros financeiros do Brasil. Sua economia está pautada no setor terciário, se concentrando em serviços financeiros, comércio, atividades imobiliárias, administração pública e atividades de lazer. A cidade se destaca também pelo turismo de negócios que conta com uma diversificada rede de hotéis, restaurantes, agências bancárias espalhadas ao longo da cidade.

Problemas urbanos de Belo Horizonte

Com o rápido crescimento populacional da cidade que excedeu o limite estipulado em seu planejamento, fez com que o município enfrentasse muitos problemas urbanos.

Um dos problemas característicos presente na estrutura urbana da cidade é o processo de favelização, que consiste em ocupações irregulares em encostas de morros. O problema é derivado desde o momento de fundação da cidade, em que o planejamento da nova capital não previa bairros de moradia para os operários que ocuparam áreas irregulares na periferia da cidade. Segundo o Censo de 2010, pouco mais de 300 mil pessoas moravam em ocupações irregulares no município. Outro problema é a quantidade de moradores de rua, que em 2017, era de 4.500 vivendo nessa condição.

Outra questão crítica refere-se à mobilidade urbana da cidade. Longos congestionamentos fazem parte da rotina da capital. Segundo dados do DENATRAN em 2018, BH tem a maior taxa do país na relação veículo-habitante – 0,74 -, em uma frota estimada em 1,8 milhões de carros.

A violência é outro problema que assola a capital, onde há preocupantes índices de homicídios, roubos e furtos na cidade. Segundo dados da Secretaria Pública do Estado, o município é o mais violento entre as capitais da Região Sudeste.

Aspectos físico-naturais de Belo Horizonte

Relevo

O relevo de Belo Horizonte é bastante conhecido pela presença de morros e montanhas. A cidade possui uma altitude que pode variar ao longo de suas regiões de 700 a 1500 metros. O ponto mais alto da cidade encontra-se na Serra do Curral com 1538 metros de elevação.

Vista aérea da cidade de Belo Horizonte com a presença de morros ao fundo. Foto: Breno Saturnino / Shutterstock.com

Hidrografia

A cidade, apesar de estar localizada na Bacia do São Francisco, não é banhada por nenhum grande rio. Em seu interior passam vários córregos e ribeirões, em que os principais cursos hídricos são o Ribeirão Arrudas e Ribeirão das Onças. Muitos córregos na cidade foram canalizados para a construção de acessos de via rápida, o que causa muitas inundações no período chuvoso, devido à impermeabilização do solo.

Clima

O clima característico de Belo Horizonte é o tropical caracterizado por verões quentes e chuvosos – ocorre entre novembro e março - e invernos secos e amenos (entre abril e outubro). A temperatura média durante o ano varia entre 19 e 25 °C, e a pluviosidade anual é de 1430 mm.

Referências:

https://www.thecities.com.br/artigo/Brasil/Minas-Gerais/Belo-Horizonte/Hist%C3%B3ria/1763/

http://revistaea.org/pf.php?idartigo=709

http://www.belohorizonte.mg.gov.br/bh-primeira-vista/arquitetura/belo-horizonte-perfeita-juncao-do-espaco-urbano-e-da-cidade-jardim-em

http://www.fjp.mg.gov.br/index.php/docman/cei/pib/pib-municipais/767-estatistica-informacoes-5-pib-dos-municipios-de-mg-2015-siteatualizado07022018/file

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