Civilização Micênica

Mestrado em História (UDESC, 2012)
Graduação em História (UDESC, 2009)

A Civilização Micênica foi a civilização que se desenvolveu após o domínio da Ilha de Creta e o fim da civilização minoica. Seu principal centro era Micenas, que influenciava o Mediterrâneo, formada por uma aristocracia voltada para a guerra e preparada para combates.

Até então eram considerados gregos aqueles que falavam o idioma e a Grécia era formada por povoados independentes espalhados ao longo dos mares Mediterrâneo e Egeu. A região não se chamava Grécia, nem seus habitantes chamavam-se gregos. Essa denominação foi dada pelos romanos, séculos mais tarde. A região era chamada de Hélade, um local formado por campos vastos para cultivo, especialmente de cereais, e montanhas que tornavam o acesso difícil por terra. Por isso, esses povos desenvolveram-se com base na navegação, e dominaram técnicas para usar os mares como meio de contato com outras civilizações.

Esse contato íntimo com o mar fez com que a civilização micênica – e também a minoica que a antecedeu – desenvolvesse a pesca e utilizasse os animais marinhos como alimentos – como até hoje é conhecida a gastronomia mediterrânea, e que se aprimorasse na navegação e no comércio exterior a partir do mar.

A Grécia estava situada na Região dos Bálcãs, ao sul do continente europeu como o conhecemos hoje. À época podia ser dividida em três partes: a Grécia Continental, onde ficavam cidades como Atenas e Tebas; a Grécia Peninsular, região onde estava localizada a cidade de Esparta, e a Grécia Insular, onde ficavam localizadas as ilhas de Creta e Delos. Todos aqueles que estivessem situados além destes limites era considerado pelos gregos como bárbaros, ou seja, não falavam o idioma grego e, portanto, não eram compreendidos por eles.

A cultura micênica desenvolveu-se na Península Balcânica e, através do mar, se expandiu e se difundiu. Os aqueus, ao invadirem a Ilha de Creta, destruíram a civilização Minoica. Eles desenvolveram uma outra civilização, chamada Micenas, que se expandiu por toda região. Nesta nova civilização havia a concentração do poder por dois reis. Foi a civilização micênica que desenvolveu a escrita em grego, até então inexistente.

Acredita-se que haviam palácios micênicos, datados de aproximadamente 1.200 a.C. Há uma conjunção de fatores que levaram ao fim da civilização micênica e ao desaparecimento dos rastros de suas construções. O primeiro motivo foram as invasões por parte dos dórios, povo indo-europeu que dominou as regiões da Grécia Peninsular como de Creta. Outros povos, como os Jônios e os Eólios dominaram a Grécia Continental. Desastres naturais como terremotos também podem ter ocorrido na região, dificultando mais ainda o acesso à cultura micênica.

O pouco que conhecemos se deve à escrita de Ilíada e Odisséia, por Homero, por volta de 800 a.C. Ele narrou em forma de epopeia o que teria sido o último ano da guerra de Tróia, um conflito entre os micênicos e os troianos. Em Odisséia é narrada a trajetória de retorno de Odisseu – Ulisses – para a Ilha de Ítaca. Ainda que não se possa tomar como realidade a narrativa de Homero, por meio dela é possível compreender o contexto de sua produção e ter acesso – cruzando suas informações com as pesquisas arqueológicas, por exemplo – a algumas características da civilização micênica.

Referência:

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.