Torrent

O BitTorrent, o apenas Torrent, é um protocolo P2P (peer-to-peer, ou ponto a ponto) da rede de Internet que permite ao usuário efetuar downloads de diversos tipos de arquivos, que estão indexados, e não hospedados, em sites da web. O Torrent aproveita o conceito do compartilhamento, já introduzido por programas P2P anteriores, como o Kazaa. Dessa forma, objetivamente, o download dos arquivos é feito de diversos outros usuários que já tenham o arquivo, característica que se provou um importante maximizador de desempenho, proporcionando altas taxas de transferência, ao mesmo tempo em que suporta uma enorme quantidade de usuários fazendo o download simultaneamente do mesmo arquivo, sem sobrecarregar algum servidor.

O protocolo foi desenvolvido por Bram Cohen, sendo apresentado em abril de 2001, sendo totalmente disponibilizado em julho de 2001. Desde então, tem se apresentado como um gigantesco problema para as autoridades, empresas e pessoas que defendem a propriedade intelectual de indivíduos ou grupos. Tais entidades culpam o programa, o seu criador, e todos os colaboradores e incentivadores do projeto de violação das leis de copyright de incontáveis arquivos que são compartilhados diariamente por meio do protocolo Torrent. Calcula-se que cerca de 40% de todos os dados compartilhados mundialmente na Internet sejam transmitidos por intermédio do protocolo.

O sistema Torrent obriga que os usuários partilhem minúsculos pedaços de arquivos, de forma aleatória, com, geralmente, 256kb de tamanho. Mais tarde, esses pedaços são unidos pelo programa que roda o protocolo, resultando num arquivo final totalmente funcional. Esse sistema de compartilhamento potencializa o desempenho global da rede, pois ele faz com que não existam “filas de espera”, com todos os usuários compartilhando (enviando e recebendo) arquivos ao mesmo tempo, entre eles mesmos, sem a necessidade de um servidor central, que poderia ser facilmente sobrecarregado, dada a magnitude de usuários e arquivos em trânsito, o que costuma acontecer em sites e portais de downloads, por exemplo. Pelo contrário, esse mecanismo faz com que quanto mais usuários estiverem atuando na rede, mais rápido os downloads acontecem, pois a largura da banda aumenta.

Segundo seu criador, o BitTorrent foi criado para distribuir arquivos legais, como softwares livres, trailers de filmes, ou qualquer outro tipo de material midiático com licença livre. Porém, o protocolo logo se tornou uma das principais ferramentas para a propagação de pirataria. Os usuários, que cresciam rapidamente, se aproveitaram do sistema para distribuir cópias de filmes, jogos de videogame, softwares e músicas. Poucos dias após o lançamento do filme “The Matrix Reloaded” nos cinemas, por exemplo, o filme, em alta qualidade, já estava disponível na rede. Logo muitos outros vazamentos ocorreram, como códigos-fonte completos do Windows 2000 e NT.

Dada a essa situação, logo as entidades protetoras da propriedade intelectual (muitas vezes empurradas pelos lobbystas que representam os estúdios de cinema e grandes gravadoras) começaram a agir, atacando e processando os principais sites da Internet que abrigavam e distribuíam a indexação dos arquivos da rede Torrent (necessários para iniciar um download), causando uma polêmica de proporções semelhantes à que aconteceu com o Napster, quando o compartilhamento de músicas em MP3 ganhou o mundo.

A própria arquitetura do protocolo Torrent acabou o protegendo das autoridades. Diferente de outros protocolos e programas de compartilhamento da Internet, a rede não dá suporte ao usuário, ela não possui sequer um sistema de busca, por exemplo, cabendo ao usuário procurar em sites independentes do sistema Torrent. Além disso, toda a mecânica fica a cargo do próprio usuário, colocando o Torrent apenas como um meio, um veículo, que pode ser usado tanto legalmente, quanto ilegalmente. Essas particularidades tornam o Torrent um alvo poupo provável de ações judiciais. Esses encargos normalmente caem sobre os sites hospedados na web que trabalham indexando e distribuindo os trackers (arquivo que carrega todas as informações necessárias para iniciar um download no protocolo Torrent).

Apesar de toda essa controvérsia, o protocolo ainda é o mais usado mundialmente para a distribuição legal de arquivos. Muitas empresas viram no Torrent uma forma extremamente barata de distribuírem seus materiais pela internet, sem a necessidade de se apoiarem em complexos e caros sistemas de servidores, que ainda demandam muitos custos para sua manutenção.

Fontes:
http://www.tecmundo.com.br/torrent/166-o-que-e-torrent-.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/BitTorrent
http://www.tecmundo.com.br/tira-duvidas/39817

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