Basílica de São Marcos

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

A Basílica de São Marcos originalmente deveria ser uma extensão do Palácio Ducal como parte do espaço privativo ao Doge, o Duque de Veneza. Sua construção começou em 828 e foi concluída em 832, tendo a função de abrigar os restos mortais atribuídos como do Evangelista Marcos.

Vista frontal da Basílica de São Marcos, em Veneza, Itália. Foto: Catarina Belova / Shutterstock.com

Segundo a tradição, o corpo de São Marcos fora trazido de Alexandria por mercadores venezianos e visto daí em diante, como protetor da cidade.

A construção da basílica atual começou em 1063, o estilo bizantino foi utilizado para representar o poder e prosperidade da República de Veneza. Essa basílica foi construída respeitando o modelo bizantino (a Basílica de Santa Sofia e a Basílica dos Santos Apóstolos), com uma planta central com o formato de cruz grega, cinco cúpulas grandes e uma mistura de obras de arte antigas e orientais.

Com o passar do tempo, a igreja sofreu várias modificações, principalmente quanto à sua decoração: possui arcos ogivais da arte gótica, o portal de Sant’Alipio, esculturas dos séculos XVII e XVIII, mosaicos na fachada principal, baixo-relevos que representam profissões e signos dos zodíaco no portão central, mármores originários do Oriente.

Com resultado do saque à Constantinopla, durante a Quarta Cruzada em 1204, encontram-se a escultura em pórfiro da Tetrarquia (os quatro governantes do Império Romano entre 293 e 313 d.C.: Diocleciano, Galério, Maximiano e Constâncio) e os cavalos de São Marcos (escultura em metal de uma quadriga, o carro puxado por 4 cavalos).

A basílica atual possui uma planta de cruz latina e cinco cúpulas. Suas dimensões são: 48 metros de altura, 76,5 metros de comprimento e 62,6 metros de largura. Possui 500 colunas do século III d.C. e também mais de 4 mil metros quadrados de mosaicos, muitos são do século XIII.

Interior da Basílica de São Marcos. Foto: Viacheslav Lopatin / Shutterstock.com

A tradição bizantina foi passada aos venezianos num desdobramento das relações comerciais e culturais entre o Império romano do Oriente e a República de Veneza.

Na fachada frontal de São Marcos somente o primeiro mosaico à esquerda é do século XIII, nele se representa a procissão que levou o corpo do santo até a basílica, pois os demais mosaicos foram refeitos entre os séculos XVII e XIX, reproduzidos com a mesma iconografia.

Ao lado da entra da entrada da basílica encontra-se o campanário, a torre dos sinos, que fora construída no século XI e desmoronou em 1514, sendo reconstruído em seguida. Trata-se de uma torre quadrangular com 12 metros de lado e uma parede de tijolos com 50 metros de altura, que serve de base para o campanário com 5 sinos, encimado com uma figura dourada do arcanjo Gabriel e um cata-vento, atingindo assim, 99 metros de altura.

A Basílica de São Marcos é o templo religioso mais importante da cidade de Veneza, e ao lado do Palácio Ducal, sempre foi o centro da vida pública e religiosa da cidade. Desde 1451, a diocese foi elevada ao título de Patriarcado e em 1807, a basílica se tornou a catedral da cidade.

A Basílica de São Marcos é uma combinação intrigante de estilos arquitetônicos (arte bizantina, arte gótica, arte renascentista, arte maneirista e arte barroca), um testemunho da efervescência cultural, da riqueza e do poder daquela que ficou conhecida como “A Sereníssima República de Veneza.”

A tradição cristã estabeleceu a fundação de Veneza em 25 de março de 421, desse modo, desenvolveu-se uma relação especial com a festa da Anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria.

Dessa forma, há na cidade inúmeras representações da Anunciação à Virgem. Na fachada da Basílica de São Marcos, a Virgem Maria é representada na última estátua à direita. No extremo oposto, é possível ver a estátua do Arcanjo Gabriel, assim, os dois são posicionados de modo que olharem um para o outro.

Fontes:

ARGAN. Giulio Carlo. História da Arte italiana: da Antiguidade a Duccio. Vol. I e II, São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

GOMBRICH, Ernst. História da Arte. Rio de Janeiro: Editora LTC, 16ª edição. 1996.

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