Bruxos e Bruxas - O Dom

Neste segundo volume da saga os autores enfim revelam como a família Allgood está a um passo de ser executada. A história se inicia justamente no auge dessa cena, quando os irmãos Wisty e Whit e seus pais Ben e Liz caminham rumo ao trágico destino que os aguarda. Logo em seguida a narrativa dá uma guinada e retrocede no tempo. É quando o leitor é apresentado à protagonista, Wisteria Allgood, mais conhecida como Wisty.

Através dela e de seu irmão inseparável a história se desenrola à medida que eles descobrem que são realmente bruxos e passam a usar a magia, ainda sem qualquer controle. Eles fogem de um hospital psiquiátrico, atravessam a Terra das Sombras e chegam às Terras Livres. Aí os dois se unem aos membros da Resistência: Janine, Jamilla, Margô e Emmet. E agora Byron resgatou seu corpo de adolescente, mas continua sendo uma fuinha traidora, embora dessa vez ele hesite em ser um agente duplo, pois está completamente apaixonado por Wisty.

Ela, por sua vez, continua desconfiada do antigo informante e ainda o despreza, embora não possa negar que há uma estranha ligação entre eles. Whit descobre aos poucos a dimensão de seus poderes, em especial a clarividência. Em meio a poemas plagiados das aulas de literatura, ele escreve textos misteriosos que prevêem futuros eventos. Wisty também sente seu poder se desenvolver a ponto de nem precisar mais da antiga baqueta para a prática de sua magia.

Mas a protagonista não tem consciência da dimensão de seu dom, que tanto pode destruir o mundo quanto salvá-lo, e ele atrai cada vez mais a atenção do Único que é o Único. O vilão onipresente controla o ar, a terra e a água de uma forma impressionante. Porém não tem o poder de Wisty, algo que lhe daria controle total sobre o Planeta. A liderança da N. O. não domina o fogo, e por isso cobiça o dom da garota Algood. Contudo, Wisty e seu irmão parecem não se dar conta do verdadeiro objetivo do líder insano.

Enquanto isso o Único não mede esforços para aprisionar Wisty e convencê-la, claro, por meio de técnicas de tortura, a lhe ceder seu Dom. O segundo livro começa com uma operação fracassada da Resistência, a qual resulta na morte de Margô. Porém o líder da N. O. simula a execução de Wisty diante de multidões.

Ele também se aproveita da carência afetiva de Wisty e da obsessão de Whit por Célia, a ex-namorada assassinada pela Nova Ordem, para envolver os irmãos em uma rede sinistra que culmina com a reclusão de ambos em um reformatório no qual o Único realiza experiências terríveis com crianças e adolescentes dotados de poderes mágicos. No Centro Admirável Mundo Novo, mais uma alusão ao mundo distópico de George Orwell, Wisty vai passar por torturas físicas e psicológicas, entre elas uma projeção holográfica dos pais em condições terríveis, capturados pelo Único e expostos de forma sádica em uma espécie de corredor da morte.

Uma passagem impressionante do livro retrata a transformação de crianças e adolescentes em monstros sanguinários. Dá para imaginar algo assim? É com certeza um estágio avançado e sombrio da lavagem cerebral que transforma pessoas normais em criaturas terríveis, manipuladas por comandos sonoros, ou em zumbis, alguns apáticos e indiferentes, nos quais a paixão de viver se apagou dos olhos e dos corações, outros famintos da energia vital dos que ainda sonham e alimentam a esperança de viver em um mundo melhor, como os perdidos da Terra das Sombras.

Aqui a história ganha contornos mais duros e cruéis. Não há mais lugar para sonhos e romances, essa talvez seja a lição mais difícil que os irmãos terão que aprender. A resistência é abalada e sofre perdas terríveis. A luz da esperança parece se reduzir ao mero brilho de uma vela, apesar das chamas de Wisty atingirem altura e intensidade fascinantes, mas ela não se apaga. Nem depois da triste conclusão dessa sequência da série. Resta torcer para que o terceiro livro, Fogo, reacenda as luzes que guiam os Algood na execução da Profecia.

Aqui a trama se concentra mais nos irmãos e em Byron. Os outros personagens ficam à margem da narrativa. Os autores refreiam um pouco o ritmo eletrizante do thriller e focam em questões mais profundas, como a exposição irônica dos elementos que a Nova Ordem considera nocivos na arte, em especial nos livros. Apesar disso, Patterson e Ned Rust não abram mão do humor, da divisão em três livros e do apêndice com os livros considerados criminosos pela Nova Ordem, os estilos musicais repudiados pelo regime totalitário, os artistas plásticos desprezados e uma lista de palavras subversivas banidas pela N. O.

James Patterson é um escritor norte-americano, de Nova Iorque. Ele é famoso nos gêneros suspense, mistério e magia. Sua obra cativa leitores de todas as idades, principalmente adultos e adolescentes. Hoje é um símbolo da cultura pop; já fez uma ponta nas séries Os Simpsons e Castle, aparecendo aqui como ele próprio.

Foi eleito pelo público jovem como o autor do ano no Children’s Choice Book Awards 2010. Reside na Flórida ao lado de sua esposa, Susan Patterson. O livro ‘Bruxos e Bruxas’ permaneceu muito tempo no topo da lista dos mais vendidos do New York Times e da Entertainment Weekly.

Ned Rust é um conhecido autor de livros infantis. Ele publicou várias obras em parceria com James Patterson, entre eles Fogo, o terceiro livro da saga Bruxos e Bruxas; Daniel X: Watch the Skies and Daniel X: Game Over.

Fontes:
http://www.bookreporter.com/authors/ned-rust-0
James Patterson e Ned Rust. Bruxos e Bruxas. Livro 2. Editora Novo Conceito, Ribeirão Preto, São Paulo, 2013, 285 pp.

Arquivado em: Livros