Castelo nos Pirineus

Steinn e Solrunn mantinham uma relação aparentemente bem-sucedida; ela parecia ter tudo para durar a vida toda. Mas eles permaneceram juntos apenas por cinco anos; neste período, nos anos 70, viveram momentos poderosos e experimentaram uma intensa felicidade.


De repente, porém, a vida dos dois chegou a um cruzamento e cada um deles seguiu um caminho diferente, por motivos que ambos não conseguem explicar. 30 anos mais tarde eles se reencontram no mesmo cenário que testemunhou a separação, o terraço de um antigo hotel à beira de um golfo sinuoso e escarpado da região oeste da Noruega. A questão é: este novo encontro, no mesmo lugar em que decidiram romper o relacionamento, terá sido casual?

Neste momento o casal rememora os eventos que antecederam o rompimento. Eles alimentavam crenças e pontos de vista totalmente distintos. Depois do atropelamento de uma mulher na rodovia, os dois revêem a vítima uma semana após o evento. Então jovens, explicam o fenômeno de forma diferente. Steinn crê estar vendo o corpo físico dela, já que ela supostamente sobreviveu e está em plena saúde.

Já Solrunn acredita na possibilidade de estar diante do espírito de alguém que morreu e está ansiosa para interagir com o casal, algo que ele, um climatologista materialista, não consegue admitir. Na trama o protagonista representa o pensamento científico, enquanto ela é o símbolo da mentalidade religiosa.

Tentando entender o que aconteceu entre eles, de que forma uma relação que tinha potencial para ser durável simplesmente chegou ao fim de uma hora para outra, os ex-namorados iniciam um febril intercâmbio de mensagens virtuais. Esta é essência da nova obra de teor filosófico de Gaarder.

Agora ele narra um romance que, na verdade, é um pretexto para o autor retratar o confronto entre a razão e a religiosidade. No texto que compõe a correspondência entre Steinn, o cético que só acredita nos eventos comprovados pela Ciência e pelo método racional, e Solrunn, a personagem espiritualizada, a qual crê na esfera transcendente e em uma alma que sobrevive à morte do corpo, o leitor encontra as duas visões de mundo que se enfrentam há milênios no dia-a-dia.

Por mais que os dois tentem conciliar suas concepções pessoais, continuam a ver os fatos de um ângulo completamente diferente. Embora eles tenham uma profunda consideração um pelo outro, não conseguirão chegar a um consenso até que suas crenças sejam testadas.

Jostein Gaarder nasceu em 1952, na cidade de Oslo, capital da Noruega. Sua prática literária teve início no ano de 1986, quando passou a escrever livros infanto-juvenis. Mas o sucesso veio mesmo a partir da publicação de O Mundo de Sofia, que já foi traduzido para mais de 50 idiomas. Atualmente pode-se encontrar no Brasil uma versão cinematográfica desta obra em DVD, lançado em 2008.

Fontes:
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12851
http://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/tag/o-castelo-nos-pirineus/

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