Destronando o Rei

Um combate cruel foi disputado no universo dos grandes empresários modernos. O cenário foi a pequena cidade de St-Louis, no Missouri, no centro dos Estados Unidos da América, durante o verão de 2008. Os duelistas eram o império da Anheuser-Busch, que criava há mais de 150 anos a lendária cerveja Budweiser, e a corporação belgo-brasileira InBev.


No desfecho desta luta a gigante americana cedeu espaço ao seu rival. Ninguém parecia crer que por US$ 52 bilhões, entregues em dinheiro vivo, uma multinacional forasteira tinha se apropriado da Budweiser. Este é o núcleo da trama encenada no livro escrito por Julie; na verdade, ela revela muito mais que isso. A autora desnuda um drama familiar digno de ser representado na obra de Shakespeare.

No início os empresários da AB demonstraram perplexidade diante da ousadia da concorrente. Era inconcebível que um grupo tivesse recursos financeiros para adquirir este empreendimento; mais ainda, uma corporação belga comandada por administradores que se comunicavam entre si no idioma português.

Acima de tudo, porém, havia o patriarca August Busch III, popularmente chamado Terceiro. Apesar de seu devotamento à vida empresarial, ele agora detinha apenas 4% dos negócios, perdendo largamente para super investidores do porte de um Warren Buffett.

Mas o Terceiro ainda era impressionante e provocava medo até nos maiores banqueiros de Wall Street. Em 1974, quando tinha 37 anos, revelou sua gana pelo poder ao destronar o próprio pai da presidência da empresa por meio de uma conspiração minuciosamente tecida por ele e pelos conselheiros. Imediatamente ele assumiu o posto de presidente do conselho-diretor; logo depois já era o diretor executivo da corporação.

Ele dirigiu severamente os negócios até obter a aposentadoria aos 68 anos. Na época o Terceiro legou a gestão da empresa para o filho, August Busch IV, o Quarto. Mas quem acreditava que ele se distanciaria do empreendimento, equivocou-se. Ele se instalou em um escritório na firma, do qual monitorava tudo dia-a-dia.

Dos rumores sobre a aquisição da AB até a concretização da compra, o Quarto se desdobrou, com a ajuda de alguns empresários, para manter a organização. Eles agiram em duas esferas. Reduziram os custos para persuadir os outros acionistas de que eles teriam condições de conservar os negócios e, de outro lado, tentaram adquirir a cervejaria Modelo, originária do México. Assim poderiam robustecer a AB e erigir uma muralha contra o adversário.

Tudo ia bem até o Terceiro interferir nas negociações. A autora narra minuciosamente como ele traiu o próprio filho, e revela que, na opinião dela, os rumos da empresa foram definidos ao longo dos anos em que o patriarca regeu a empresa. Ela descreve os vários combates travados durante as negociações bilionárias e as disputas no seio da família Busch e no âmago das relações entre os executivos enredados nessa trama.

Julie guia o leitor pelas páginas desse livro como se estivesse elaborando um thriller eletrizante, no qual novos ingredientes são incessantemente somados aos que já estavam em jogo, gerando mudanças de rumo extraordinárias.

Julie Macintosh é uma jornalista da área econômica amplamente premiada. Ela acompanhou e registrou cada momento desta fascinante jornada empresarial envolvendo a Anheuser-Busch, como enviada da editoria de finanças da Times nos Estados Unidos. A autora cobriu igualmente o abalo que atingiu os bancos em todo o Planeta, o qual por um triz não provocou a derrocada destas instituições.

Fontes:
http://www.gestaosindical.com.br/as-vezes-fica-dificil-resistir-us-52-bilhoes.aspx
http://www.skoob.com.br/autor/9888-julie-macintosh

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