Fim

O nome Fernanda Torres remete sempre ao da protagonista de produções cinematográficas, televisivas e teatrais. Esta intérprete única está definitivamente associada a filmes consagrados, novelas ou seriados da TV brasileira. Com certeza ela já se consolidou como uma das estrelas mais mutáveis do nosso país, talentosa o bastante para brilhar tanto em dramas quanto no gênero cômico, sem falar nos herméticos thrillers psicológicos.


Há pouco tempo Fernanda vem se firmando também como colunista em veículos como a Folha de São Paulo, a Veja Rio e a revista Piauí. Nesta sua estreia na vertente literária, a autora fortalece sua passagem para o mundo da literatura e revela que neste universo ela é igualmente brilhante.

Neste romance ela enfoca a trajetória de uma turma de cinco amigos do Rio de Janeiro. Os companheiros, já em idade avançada, relembram os momentos mais importantes de suas existências – as baladas, os matrimônios, o fim dos casamentos, as peculiaridades de cada um, os constrangimentos, os remorsos.

Todos eles são distintos entre si, porém têm em comum a longa jornada já percorrida, a aproximação do fim da existência e as reduzidas perspectivas existenciais. Para esses amigos o triunfo profissional, a vida particular bem-sucedida e a tranqüilidade são metas impossíveis de atingir.

Álvaro é um solitário que vive a maior parte do tempo nos consultórios médicos e odeia a ex-esposa. Sílvio é um viciado que mesmo na terceira idade se recusa a refrear o uso de entorpecentes e a vida sexual. Ribeiro é o atleta que conquistou uma sexualidade mais resolvida com a utilização do Viagra. Neto é o marido incapaz de trair sua mulher até o último momento. E Ciro é o conquistador da turma, o modelo ideal para os companheiros, porém morre mais cedo que os outros, vítima de um câncer.

Em volta desses homens circulam personagens femininas portadoras de neuroses, ressentidas, atraentes, rejeitadas, resignadas. Há igualmente um sacerdote em conflito com a tendência para a vida religiosa e um bando de cariocas que nascem do olhar sagaz de Fernanda.

O leitor encontra, ao longo das páginas, muito bom-humor, sexualidade, corpos estirados no sol e na areia. Por outro lado, também é possível se deparar com passagens plenas de aceitação e envoltas em sentimentos melancólicos. Mesclam-se a graça profunda, o tom poético sem resvalar no estilo brega, uma trama intrincada, porém não presunçosa.

Fernanda Torres nasceu no dia 15 de setembro de 1965 na cidade do Rio de Janeiro. Ela é intérprete e autora. Sua trajetória teatral, cinematográfica e televisiva soma já 35 anos. Ela conquistou em 1986, entre várias premiações, o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de Cinema. A escritora assina colunas na Folha de São Paulo, na Veja e colabora com a revista Piauí.

Fontes:
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13662
http://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=03607

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