Grande Irmão

Pandora é uma mulher de negócios realizada. No campo afetivo ela se esforça para preservar um matrimônio seguro com um marido colérico que tem uma verdadeira obsessão com seu bem-estar físico. Ele conserva um regime praticamente marcial e anda de bicicleta impreterivelmente todo dia pela manhã.

A protagonista passa o tempo cuidando dos dois enteados que estão a um passo da adolescência, cumprindo seus deveres como esposa e comandando seu empreendimento conhecido como Baby Monotonous, uma firma que se firmou no mercado de produção de bonecos artesanais, com a diferença de que seus produtos emitem falas de humor negro baseadas em pessoas da vida real.

Esta rotina se modifica quando Edison, o irmão primogênito de Pandora, um músico sedutor que no auge da juventude arrebatava os corações femininos por sua beleza ímpar, resolve passar algum tempo na casa dela. Ela não o encontra há quatro anos, já que ele vive em Nova Iorque. Ao revê-lo, porém, fica chocada.

No aeroporto o olhar de Pandora recai sobre um homem tão obeso que lhe provoca uma espécie de compaixão e ao mesmo tempo uma tristeza sem igual. Ela olhou em sua direção porque algo nele a intrigava. Mas logo descobre que o sujeito é Édison, agora com obesidade mórbida. A irmã se vê ante um ser desleixado e mergulhado na falência.

A forma de se alimentar do músico força os donos da casa a seguirem seus hábitos e o constrangimento se torna palpável em Pandora e nos seus familiares. Depois de dois meses, ele admite que não tem para onde ir e como garantir sua sobrevivência. Ela, impelida pelo amor fraterno, resolve ir para um apartamento na companhia de Edison, com a condição de que ele faça um regime extremo para reaver o corpo de outrora.

Mas a decisão de Pandora irá atingir seu esposo e toda a família. E a sujeição afetiva e econômica do irmão dela pioram a situação. Logo o marido a colocará contra a parede, acenando até mesmo com a possibilidade de um divórcio. Neste livro a escritora aborda abertamente as complicações originárias de uma obesidade séria.

Ela contribui para que o leitor medite sobre o transtorno alimentar como meio de uma pessoa se autopunir e também mostra de que forma o ambiente familiar pode se degenerar quando as primazias de cada membro revelam a presunção e a falsidade.

Lionel Shriver foi educada no seio de uma família radicalmente religiosa. Antes de seu maior sucesso literário, Precisamos falar sobre o Kevin, ela já tinha lançado seis livros. E justamente aquele que foi rejeitado por trinta editoras se tornaria um bestseller e lhe permitiria conquistar o Prêmio Orange de 2005.

Ela morou em Nairóbi e Bangcoc, e posteriormente foi para o Reino Unido. Permaneceu doze anos em Belfast, na Irlanda do Norte, e oito em Londres, onde reside até hoje.

Fontes:
http://entretenimento.r7.com/blogs/ligia-braslauskas-literatura/obesos-comem-mais-e-mais-como-forma-de-punicao-09122013/
http://www.intrinseca.com.br/autores_ficha.php?autorid=24

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