Um Hotel na Esquina do Tempo

Esta narrativa se desenvolve em dois períodos distintos. Ela tem início em 1942, no auge da Segunda Grande Guerra. Nessa época o chinês Henry Lee, residente na cidade americana de Seattle, cursava uma escola reservada apenas aos brancos dos Estados Unidos.  Ao ganhar uma bolsa de estudos o garoto conquistou o direito de estudar neste colégio elitista.

Mas ainda havia uma condição para gozar desse privilégio. Ele deveria realizar os serviços da cozinha da escola. É nesse ambiente que ele encontra Keiko, uma aluna do Japão que aí ingressou no mesmo contexto. O autor aborda de forma original os laços que se estreitam cada vez mais entre os dois adolescentes. Suas famílias são inimigas, pois sempre houve uma tensão entre a China e o Japão. Agora, com o conflito mundial, tudo piorou. Os chineses estão ao lado dos aliados, enquanto o Japão se alinhava no mesmo front que os nazistas alemães e os fascistas italianos.

A discriminação contra os japoneses era crescente nos Estados Unidos. O pai de Henry era muito ativo politicamente e sabia tudo que se passava entre China e Japão. Ele não abria mão de suas crenças e convicções. Mas o protagonista, ao conhecer cada vez melhor a garota japonesa, começa a questionar tudo que sempre soube sobre as adversidades entre os dois países. Os pais dela têm a mente mais aberta, mas são acuados pelos preconceitos.

Ele e Keiko se apaixonam, mas nesse momento o confronto bélico se agrava e os japoneses são exilados do município e aprisionados em Centros de Realocação, verdadeiros campos de concentração, com direito inclusive a cercas de arame farpado e soldados vigilantes.

À medida que o autor conta o que se passou nesse ano, ele entremeia os acontecimentos de 1986, quando o protagonista fica sabendo que o Hotel Panamá vai voltar a funcionar. Neste estabelecimento eram depositados os bens dos japoneses anteriormente residentes no bairro. Henry é obrigado a se deparar com memórias dolorosas. É através dos artefatos aí encontrados que ele resgata seu passado.

O livro reproduz esse momento angustiante em que o mundo conheceu talvez os seus piores momentos, as discriminações mais atrozes. O autor revela um ponto de vista que mescla doçura e tristeza. A trama é bem estruturada e em momento algum a história se torna entediante.

Jamie Ford é bisneto do homem que desbravou o campo da mineração, Min Chung. Ele deixou seu país em 1865 e partiu para São Francisco, nos Estados Unidos. Aí ele mudou seu sobrenome para ‘Ford’. O autor cresceu nas redondezas de um bairro chinês em Seattle. Hoje ele reside em Montana ao lado da esposa e dos quatro filhos.  Esta é sua estreia na literatura.

Fontes:
http://www.amoraliteraria.com.br/resenhas/um-hotel-na-esquina-do-tempo-jamie-ford/#.UtfV2dJdW8g
http://www.skoob.com.br/livro/resenhas/95667/mais-gostaram/
http://www.ediouro.com.br/site/authors/index/2806

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