Epilepsia em cães

Graduada em Medicina Veterinária (UDESC, 2017)

Processo patológico do sistema nervoso central, que tem por principal manifestação clínica convulsões periódicas e imprevisíveis, ou seja, o termo epilepsia se aplica a múltiplas convulsões em um longo tempo, porém, nem toda crise convulsiva está associada à epilepsia.

Convulsões são atividades elétricas anormais do encéfalo, são alterações comportamentais temporárias causadas por disparos elétricos rítmicos e desordenados de alguns neurônios. As convulsões são sintomas ou manifestações clínicas de uma doença, e não a doença em si. Convulsões podem ser causadas por diversos distúrbios intracranianos, extracranianos e também por epilepsia.

A epilepsia é dividida em idiopática e sintomática:

Epilepsia idiopática é mais comum em cães, é assumida quando nenhuma causa de base é identificada, porém, observa-se uma predisposição familiar. Caracterizada por uma redução do limiar convulsivo, onde os dois hemisférios sofrem descargas neuronais paroxísticas levando à crise convulsiva. Não apresentam nenhuma causa extracraniana ou intracraniana aparente e os animais se apresentam neurologicamente normais entres as crises. Cães comumente sofrem as primeiras crises convulsivas entre 1 e 5 anos de idade, raramente antes dos 6 meses ou após os 10 anos. Observa-se uma predisposição hereditária e racial e também mais observada em machos do que fêmeas. Cães que sofrem epilepsia idiopática podem ter uma redução de cerca de dois anos de vida.

Animais com epilepsia idiopática geralmente manifestam convulsões generalizadas, contrações tônico-clônicas junto com perda da consciência. Porém podem também ter convulsões inicialmente focais ou uma combinação de focais e generalizadas. O intervalo entre as convulsões varia com o indivíduo, mas ocorrem em intervalos regulares. Comumente o animal convulsiona quando está dormindo, adormecendo ou acorda abruptamente, ou ainda por estímulos excitatórios como sons e exercício. O quadro clínico pode se agravar com o avanço da idade, principalmente em raças grandes.

O diagnóstico da epilepsia idiopática é clínico e se dá pela exclusão de outras causas de epilepsia e idade comum de acometimento. O tratamento é feito com controle das convulsões e evitar o progresso da doença. O prognóstico é reservado, variando conforme o início e o decorrer do tratamento.

Epilepsia sintomática ou adquirida está relacionada com injúrias intracranianas ou extracranianas. É mais comum em gatos e é comum haver sinais neurológicos entre o período de convulsões. Pode ser adquirida por ordem de alguma lesão inicial no encéfalo (intracraniana) ou por doenças que atingem indiretamente Sistema Nervoso Central (extracranianas) como: hipoglicemia e encefalopatia hepática, hipocalcemia, etc. Ainda que, a lesão inicial tenha sido revertida, o dano no Sistema Nervoso Central pode ter sido irreparável.

Inflamações infecciosas ou distúrbios congênitos são as causas extracranianas mais comuns de animais jovens e neoplasias, geralmente, em animais com mais de 6 anos de idade. O diagnóstico precisa ser investigativo para manifestações em outros sistemas e avaliação intracraniana utilizando - se de exames de sangue e de imagens.

Após uma lesão inflamatória, traumática, tóxica, vascular ou metabólica, pode haver formação um tecido cicatricial no encéfalo, gerando convulsões. Os exames complementares do animal apresentando este distúrbio não apresentam anormalidades. O tratamento recomendado é o mesmo para epilepsia idiopática, porém o prognóstico tende a ser melhor do que para epilepsia idiopática.

Fonte:

Jericó, M. M.; Kogika, M. M.; Neto, J.P.A Tratado de medicina interna de cães e gatos. 1. ed. - Rio de Janeiro : Roca, 2015

Nelson, R.W.; Couto, G.; Medicina interna de pequenos 5. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2015

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