História da Neurociência

Segundo Finger, estudiosos do século XIX tomaram conhecimento da existência de papiros egípcios com escritos médicos. Dentre eles, o Edward Smith Surgical Papyrus descrevia danos causados na cabeça, descrevendo 48 casos advindos disto. Este papiro descreve que poderiam acontecer problemas na área da cabeça que poderiam alterar a coordenação motora dos lados, e, em casos mais graves afeta ambos os lados do corpo. Iniciava-se ali a história da neurociência.

Na Mesopotâmia, o rei Hamurabi criou leis em que mencionou varias vezes a prática médica, as quais ficaram conhecidas como Código de Hamurabi. Dentre as seções deste Código foi citada uma doença nomeada sibtu que parece para Finger se tratar do que hoje conhecemos como epilepsia.

Uma das primeiras obras indianas antigas contendo práticas e conhecimentos médicos era o Atharvaveda, que já continha descrições de epilepsia, insanidade, neuralgia, dores de cabeça e cegueira. A compilação de textos do médico Charaka contribuiu com 500 receitas de remédios feitas de ervas para as mais diversas doenças, além da análise de doenças relacionadas à cabeça.

No Período dos Estados Combatentes (475-221 a.C.), na China, as pessoas acreditavam no Zang Fu, que foi escrito no Huangdi Neijing. O cérebro era classificado como um órgão auxiliar peculiar, pois esta obra acreditava este era conectado com os olhos e se os olhos fossem afetados consequentemente o cérebro também seria.

Os ensinamentos de Alcmeão descreveram e explicaram o funcionamento dos nervos ópticos e, a partir disto, iniciou-se o maior interesse pelo estudo do cérebro, conforme McHenry. Através dos escritos de Alcmeão foi proposto que o cérebro era o órgão principal para a sensação e o pensamento. Anaxágoras fundou a escola de Atenas, após abandonar a Escola Jônica, e propôs que o cérebro era o órgão da mente. No século III a.C, Hipocrátes descreveu em Da doença sagrada que o cérebro funcionava como centro de comando do corpo. Além desta obra, segundo Gross, Hipocrátes escreveu Dos Ferimentos na Cabeça, que se utiliza da trepanação para dar maior circulação do sangue e solucionar enfermidades da cabeça.

No século II, Galeno elaborou contribuições para o entendimento do sistema nervoso quando escreveu sobre as diretrizes de dissecação do cérebro. Ele pesquisou o sistema nervoso autônomo e descreveu o sistema nervoso simpático.

O Livro de Hunayn ibn Ishaq sobre a Estrutura do Olho foi traduzido para o latim, no século XI, pelo médico e tradutor Constantinus Africanus. A busca da compreensão do funcionamento dos olhos continuou sendo pesquisada no século XVII, segundo Gross, com as contribuições de Descartes e Newton que pensam, dentre outras, que a pressão sobre o olho era responsável pela imitação da ação da luz sobre a retina.

No século XVIII, Jirí Procháska escreveu um livro amplamente aclamado sobre o sistema nervoso, no qual concluiu que diferentes divisões de funções genéricas consideradas corticais poderiam ocupar partes separadas do cérebro.

Conforme Gross, a neurofisiologia moderna começou, em 1870, com a descoberta de Gustav Fritsch e Edmund Hitzig, segundo a qual a estimulação elétrica do córtex cerebral produz reações de músculos específicos. Esta foi considerada primeira evidência experimental comprovada da localização do funcionamento do córtex cerebral.

Na década de 1960, Joseph Altman derrubou a teoria de que o cérebro de mamíferos adultos não produz novos neurônios. Segundo Gross, apesar da teoria de Altman ser questionada, esta teoria foi comprovada na década de 1990 com estudos em ratos, verificando-se a neurogênese no giro dentado do hipocampo.

Desta forma, muitas das teorias sobre compreensão do sistema nervoso foram desenvolvidas ao longo do tempo. No século XIX e XX, os pesquisadores buscaram formas mais empíricas para comprovar as teorias já levantadas e também desenvolveram outras que hoje contribuem para o entendimento médico.

Bibliografia

FINGER, Stanley. Origins of Neuroscience: A History of Explorations Into Brain Function, 2001, 462 p.

GROSS, Charles. A Hole in the Head: More Tales in the History of Neuroscience. Cambridge: The MIT Press, 2009, 368 p.

MCHENRY, L. C. Garrison´s History of Neurology. Springfield: Charles C Thomas Pub Ltd, 1969. 568 p.

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