Estimulação cerebral profunda

Mestre em Neurologia / Neurociências (UNIFESP, 2019)
Especialista em Farmácia clínica e atenção farmacêutica (UBC, 2019)
Graduação em Farmácia (Universidade Braz Cubas, UBC, 2012)

A aplicação de estímulos extracelulares de alta frequência (em geral entre 100 a 200 Hz) também conhecida como estimulação cerebral profunda (ou DBS, termo muito utilizado, do inglês Deep Brain Stimulation) é uma técnica já utilizada para o tratamento das desordens de movimento e uma promessa alternativa para o tratamento de diversas desordens psiquiátricas. Atualmente a técnica é utilizada para atenuar os sintomas de diversas desordens motoras como na doença de Parkinson, distonia primária e tremor essencial, e normalmente a técnica é utilizada juntamente com tratamentos farmacológicos. No mundo inteiro mais de 160.000 pacientes já foram submetidos à técnica de estimulação cerebral profunda, e a cada ano esse número cresce mais. O DBS é uma técnica que oferece diversas vantagens sobre outras disponíveis no campo da neuromodulação. Dentre as diversas vantagens da utilização da estimulação cerebral profunda estão, a capacidade de maximizar os benefícios e reduzir os efeito adversos e graças a natureza não lesional da aplicação do DBS pode ser considerada uma técnica segura, além disso devido a técnica envolver intervenções de alta precisão é possível o DBS contribui para o circuito de teorias de disfunção cerebral, demonstrando que a disfunção e a intervenção localizadas têm influências nas redes interneurais.

Foto: Teeradej / Shutterstock.com

Atualmente a estimulação cerebral profunda tem sido utilizada para diversos tratamentos de origem neurológica e sua aplicação foi tida como sucesso em várias patologias. Estudos de revisão mostram que a utilização do DBS na epilepsia ainda deve ser utilizada como terapia complementar e não central como sugeriam algumas pesquisas, pois a maioria dos pacientes não ficaram totalmente livres das crises convulsivas, portanto é uma técnica que ainda precisa ser explorada para que tenhamos certeza de todos seus efeitos e sua eficácia no tratamento desta patologia.

O DBS foi aprovado nos Estados Unidos para algumas indicações psiquiátricas como a doença de Parkinson, distonia e tremor, porém os transtornos psiquiátricos são complexos pois afetam diversos circuitos cerebrais sobrepostos, dificultando o tratamento e ensaios clínicos. O tremor essencial foi a primeira patologia em que a estimulação cerebral profunda foi aprovada nos Estados Unidos pela agência FDA (do inglês Foods and Drugs Administration) tendo comprovada eficácia em diferentes estudos e tornando-se a partir de 1998 um tratamento de rotina. Apesar desse tratamento ter efeitos adversos reduzidos, isso não isenta de ter algum, a habituação e o surgimento de alguns efeitos colaterais como ataxia de marcha e a disartria tem sido um desafio para a utilização desta tecnica, e embora o DBS se mostre seguro e ainda é considerado o método de primeira escolha para alguns procedimentos e indicações de alguns tipos de tremores, outras alternativas ainda são levadas em consideração ablação por radiofrequência, ultrassonografia focada guiada por ressonância magnética e a radiocirurgia.

Com o avanço dos estudos há indícios de que a depressão seja causada por distúrbios neuromoduladores em circuitos relacionados ao humor do indivíduo, portanto abrindo a possibilidade da terapia por Estimulação cerebral. Atualmente há diversas pesquisas investigando o potencial do DBS para o tratamento da depressão, entretanto apenas uma técnica se mostrou mais eficientes que alguns tratamentos já disponíveis, a estimulação do córtex cingulado subgenual.

Apesar de diversos estudos demonstrarem efetividade para diferentes patologias, ainda há necessidade de maior compreensão dos fatores associados às patologias, e dos possíveis efeitos relacionados com a estimulação de determinadas áreas. O estudo para melhor entendimento neurofisiológico é essencial para a compreensão dessas técnicas.

Bibliografia:

Lozano A.M. et al. (2019) “Deep brain stimulation: current challenges and future directions “ Nat Rev Neurol. 2019 March ; 15(3): 148–160. doi:10.1038/s41582-018-0128-2. disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6397644/pdf/emss-81637.pdf Acesso em 20-10-19

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