Lesões nos joelhos

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

As lesões ocasionadas na estrutura do joelho podem ser decorrentes de diversos fatores. A alteração adaptativa que pode ocorrer na biomecânica da estrutura pode ser um agravante importante quando se fala de lesões. As alterações podem surgir por conta de adaptações posturais, movimentos exagerados, cargas acentuadas em relação ao que a estrutura pode suportar, alterações congênitas, dentre outros fatores.

Foto: Bartek Zyczynski / Shutterstock.com

As lesões de joelho podem ocorrer em pacientes com perfis diversos, desde crianças, adolescentes, adultos, idosos, sedentários, até atletas amadores ou mesmo de alto rendimento. A maior causa das manifestações patológicas da estrutura do joelho se dão por mecanismo de adaptação. Pelo fato de ser uma estrutura que suporta a carga do organismo como um todo, acaba tendo a necessidade de se posicionar de forma adaptativa, podendo assim gerar movimentos exagerados ou compensatórios, reconhecidos assim como um mecanismo de lesão.

Algumas patologias comuns que podem acometer essa articulação são:

  • Condromalácia patelar: consiste na degeneração crônica da cartilagem, podendo se desenvolver em 4 estágios: I (amolecimento da cartilagem, edemas), II (fragmentação da cartilagem com fissuras < 1,3 cm), III (fragmentação e fissuras > 1,3 cm), IV (erosão ou perda total da cartilagem, com exposição do osso subcondral);
  • Cisto de Baker: formação cística que ocorre na região posterior do joelho, podendo estar relacionados a lesões meniscais ou mesmo a artroses.
  • Tendinite patelar: patologia do tendão patelar normalmente relacionada à atividades de impacto. Geralmente afeta a fixação inferior do tendão patelar, por conta do mecanismo de cisalhamento que ocorre na desaceleração do movimento.
  • Joelho valgo: ocorre a partir da alteração posicional da cabeça do fêmur no acetábulo, onde essa estrutura se encontra em rotação interna, fazendo com que o ângulo Q aumente e consequentemente o joelho apresente-se em valgo. Essas alterações podem ocorrer tanto na avaliação estática quanto dinâmica.
  • Joelho varo: ocorre quando há alteração no posicionamento da cabeça do fêmur no acetábulo, onde a estrutura se encontra em rotação externa, resultando na diminuição do ângulo Q e consequentemente o joelho se apresente em varo. Vale lembrar que essa alteração pode aparecer tanto na avaliação estática quanto dinâmica.
  • Rupturas de ligamentos: ocorre por conta de estresse articular, gerando sobrecargas e consequentemente a ruptura total ou parcial da estrutura do ligamento. Geralmente a ruptura ligamentar pode ocorrer a partir de um movimento de desaceleração, podendo ou não estar associada à rotação de uma estrutura em relação à outra, sem que haja fortalecimento efetivo para manter a estabilidade articular.
  • Rupturas de menisco: podem acontecer de origem traumática, degenerativa ou mesmo a combinação de ambas. As lesões de origem traumática geralmente estão associadas à entorses e traumas de impacto, podendo ou não estar associados às práticas desportivas. Já as lesões de origem degenerativa podem ocorrer por conta da fragilidade da estrutura associada à alguma patologia primária. E quando se trata da associação dos dois fatores, compreende-se que há uma estrutura consideravelmente fragilizada em combinação com sobrecargas e movimentos adaptados.
  • Síndrome anserina: caracteriza-se por forte algia na região medial do joelho. Podem se caracterizar como tendinite ou bursite na região onde encontram-se o conjunto de estruturas que se denominam como “pata de ganso”, que são os tendões dos músculos grácil, sartório e semitendinoso. Pode ser facilmente confundida com tendinite ou bursite, uma vez que as estruturas se encontram muito próximas.
  • Luxação patelar: ocorre devido a traumas, fazendo com que a estrutura da patela não deslize sobre a tróclea, e consequentemente perca o contato, a partir de contusões ou mesmo entorse.
  • Síndrome do corredor: processo inflamatório decorrente do excesso de movimento de flexo-extensão do joelho, aumentando assim a fricção e tensão do trato iliotibial.
  • Síndrome da plica sinovial: consiste em um resquício de tecido embrionário, onde essa prega acaba por não ser absorvida pela cápsula articular. Podem ocorrer traumas que desencadeiam a irritação da estrutura e consequentemente o processo inflamatório.

Referências

NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

TORTORA, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. Porto Alegre. 4ª ed. Artmed Editora. 2000.

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