Esporófilo

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Esporofilo (adjetivo grego, phyllon = folha; substantivo masculino sporós = semente) significa folha modificada em estrutura fértil responsável pela produção de esporângios. Os esporângios por sua vez são responsáveis pela produção de esporos. Para algumas espécies de samambaias e licófitas (antigamente referidas como pteridófitas) os esporofilos se apresentam como folhas modificadas em estruturas de reprodução e, então, conhecidas como folhas férteis. Em algumas angiospermas (plantas com flores) o esporofilo se refere aos estames e carpelos, estruturas que fazem parte da flor.

A folha é uma estrutura de plantas terrestres cuja principal função é a realização da fotossíntese, pois possui clorofila, um tipo de pigmento fotossintético responsável pela cor verde das folhas. A clorofila está presente em cloroplastos (ou plastídeos), organelas celulares presentes em plantas terrestres e outros organismos fotossintéticos. Contudo, o modo de vida variável de algumas plantas exigiu modificações nas estruturas, uma delas foi à heterofilia, ou seja, plantas que possuem dois tipos de folhas.

A heterofilia em licófitas e samambaias variam conforme a espécie. O gênero Isoetes (licófita), por exemplo, apresenta folhas modificadas em esporofilos, cuja nomenclatura é referida como megasporofilos para folhas que produzem megasporângios e microsporofilos, para folhas que produzem microsporângios. Tanto o mega como os microsporângios são responsáveis pela produção de esporos. A samambaia trepadeira, Lygodium microphyllum possui folhas vegetativas, ou seja, aquelas que não apresentam estruturas de reprodução (esporângios e esporos), pois estas estruturas estão presentes em esporofilos (folhas férteis). E cada folha fértil consegue produzir cerca de 20 mil esporos, garantindo a reprodução e perpetuação da espécie nos ambientes.

Em angiospermas, a flor é uma estrutura que tem tempo determinado para sobreviver, faz parte de um sistema caulinar. Este sistema é constituído por caules e folhas, estruturas vegetativas. A flor, ou inflorescência (flores agrupadas) são partes reprodutivas das plantas que surgem após mudanças estruturais e fisiológicas do ápice caulinar. A flor possui sépalas e pétalas, estruturas vegetativas, enquanto que os estames e carpelos são as estruturas reprodutivas. Os estames (do latim, stamen = filamento) são responsáveis pela produção de grãos de pólen e o conjunto deles é conhecido como androceu (do grego, andros = masculino e oikos = casa). O androceu é considerado o microsporófilo da planta, cuja referência se faz como a parte masculina da planta (“casa do homem”). Os carpelos (do grego, karpos = frutos) produzem óvulos. O conjunto de carpelos é designado como gineceu (do grego, gyne = feminino e oikos = casa), referido também como megasporófilo, estrutura considerada a parte feminina da flor (“casa da mulher”).

O exposto apresenta a definição de esporofilo e algumas variações com relação à nomenclatura, uma vez que há mudanças conforme o organismo estudado. Para um melhor conhecimento e entendimento fazem-se necessárias pesquisas e leituras sobre os organismos.

Bibliografia recomendada:

http://tolweb.org/tree/ (consultado em agosto de 2018)

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